Ecos da Guiné: Por mares e ares dantes “navoados” (3) .

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(Crónica de saudade da Guiné)

Para não massacrar mais os leitores vou terminar com este 3º texto a 2ª viagem da UASP à Guiné-Bissau de 18 a 25 de Março de 2016.

As cerimónias da 5ª Feira Santa na Catedral foram um momento alto nesta viagem.

A Catedral estava cheia de gente que participou activamente nas cerimónias. A alegria e os movimentos do grupo coral davam-lhes outra vida diferente do que é costume em Portugal. Certamente que os altifalantes fora da Catedral não incomodavam os guineenses de outra religiões.

Na manhã do dia 25 voltei de novo a Bissau visitando outros lugares com um companheiro que fora Professor durante um ano no Liceu de Bissau. Lá estava esse Liceu do tempo da guerra e a precisar de obras. Conversámos com Professores que estavam a prestar provas de exame de Português.

Visitámos várias zonas de Bissau e mais demoradamente o cemitério junto ao Hospital Simão Mendes. As dezenas ou centenas de campas de soldados portugueses que lá ficaram estavam impecavelmente pintadas de branco e sem ervas nesses talhões, o que contrastava com os outros espaços e as outras campas, mesmo de ilustres pessoas.

Concluída a viagem importa tirar algumas conclusões.

O sol, as nuvens e o calor e a claridade do céu da Guiné mantêm-se como antes do 25 de Abril.

Já não encontrei a nudez daquele tempo, mas a pobreza não deve ser muito diferente.

As casas do tempo colonial estão muito abandonadas, mesmo que ainda ocupadas. O alcatrão estava a ser espalhado por mais ruas de Bissau.

A nova avenida entre Bissau e o aeroporto está rodeada de muitas casas de 3 e 4 pisos, com vários edifícios governamentais, para tribunais, para bancos, etc. Estes edifícios são muito bonitos.

Mas fora das ruas principais aparecem a terra batida, o lixo e as valas.

É pena que os partidos e o P República se não entendam. É pena que as pessoas sintam que há muita burocracia e que os funcionários não tenham mais rentabilidade.

Ser polícia é um posto e por vezes gostarão de complicar.

O povo é simpático e sorridente e conversa connosco sem qualquer problema.

A calma e o sorriso de quem abnegadamente  trabalha nas missões e obras católicas desarmam  quem possa estar de pé atrás ou aborrecido pelo calor ou pelas dificuldades.

Esta viagem foi um passeio um pouco duro, mas foram oito dias de alegria constante e contagiante entre todos nós.

Foi com alegre saudade que NAVegámos parte dos mares da Guiné e que VOámos nos seus ares.

Timóteo Moreira

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