DONGA: é difícil subir ao Paraíso… Crónica 2 .

O Avião sobrevoou a cidade de Luanda e entrou do lado contrário ao que é habitual. Demorei algum tempo a colocar a bússola mental no plano certo. Apesar de não serem ainda 6 da manhã, o dia estava completamente aberto, como é costume nestas paragens mais próximas do Equador. Vê-se um mar bem azul, a espetacular baia de Luanda polvilhada de grandes navios e pequenos barcos; a famosa Ilha, que é uma restinga, e o Mussulo que são um conjunto de ilhas estreitas e compridas a sul da “ilha de Luanda”, os enormes e modernos edifícios polvilhados sobre os musseques (extensos bairros da lata), que são a visão dominante e chocante da capital mais cara do mundo.

O avião faz-se à pista, e a sensação de, finalmente estarmos de rodas assentes no chão, retirou aquela espécie de calafrio que muitos sentem neste momento. A expectativa também cresceu, naturalmente, ao aproximar-se o momento do abrir da porta, para outro mundo tão distante. A sensação do anunciado e delicioso bafo quente tropical, a melhor recepção para quem vem do frio, exigiu começar a despir imediatamente.

Alguma inquietação provocada pelas inúmeras histórias que se ouvem sobre desorganização, pressão de pessoas a tentar sacar o que for possível, desaparecimento de bagagens… Mas a esta hora da manhã, a maior confusão visível esteve, naturalmente, na saída para a sala de controlo de fronteira de mais de 200 pessoas em simultâneo, que viajavam num único avião. Nada de significativo, para quem já esteve naquele mesmo local com uns 3 aviões a chegar ao mesmo tempo. Mostrar o tão propalado boletim amarelo (vacinas)…  tudo em ordem. Tiveram sorte os de idade mais provecta, que passaram ao lado das formalidades porque (e nem tudo é mau – podemos registar), têm uma certa deferência pelos idosos e crianças. As bagagens chegaram logo de seguida, e tudo correu na tranquilidade suposta às 6 da manhã.

Na saída para a parca sala exterior, pontualmente, lá estavam à nossa espera o Pe. David, superior da Missão, e o Carlos, voluntário. Atravessámos para o parque de estacionamento, procurámos o celebérrimo “Cavalinho Branco”, o velho, possante e resistente jipe da Missão (que na realidade é um Toyota Land Cruzier), e um seu primo mais novo, de igual calibre, cedido pela Diocese, especificamente para esta actividade. Resolvida a difícil tarefa de acomodar um turbilhão de malas e sacos, e os 14 passageiros, fomos fazer um tour pelos pontos mais significativos da caótica cidade de Luanda. Descemos à cidade baixa e depois de uma série de voltas aos parques de estacionamento, sem sucesso, fomos estacionar em frente de uma esquadra de polícia, com os ditos a sinalizarem e mandarem estacionar no espaço reservado às suas próprias viaturas oficiais. Este privilégio não o têm o comum dos mortais. Mas é frequente esta deferência para as pessoas e estruturas de algumas igrejas, sobretudo a Católica. Pode ser um reconhecimento não oficioso e, portanto, informal, mas existe e funciona. Pode ser inesperado num país cuja estrutura inicial enquanto independente, se baseou no marxismo soviético e, portanto, ideologicamente, no materialismo dialético com o consequente distanciamento de tudo o que cheire a transcendência. Mas não é verdade; o povo e mesmo alguns líderes, são de uma religiosidade profunda e reconhecida. Deus tem um espaço relevante na sociedade angolana, às vezes estranho na sua expressão, mas mesmo assim, a poderem ensinar-nos muita coisa que já esquecemos.

Ali mesmo, estacionados em espaço reservado à polícia, entrámos directamente para o logradouro de uma capela do tempo colonial, com generoso e cuidado jardim que se estende até à marginal da Baía de Luanda. Relva cuidada e árvores frondosas, algumas em flor, compunham aquele selecto espaço. A capela, dedicada a Nossa Senhora da Nazaré, é pequena e bonita. A volumetria do edifício faz adivinhar mais espaço no templo do que aquele que realmente tem, impressão para a qual contribuirá o alpendre lateral à direita e as salas anexas disponíveis para actividades paroquiais. Registos fotográficos foram levados daqui, com a pouca descrição que a panóplia de equipamentos individuais não consegue disfarçar.

Saídos deste primeiro ponto, circulámos pela baía e endireitámos à famosa ilha de Luanda. À entrada para a restinga deixámos à nossa esquerda, no cimo da falésia a gigante fortaleza de S. Miguel, encimada por duas gigantescas bandeiras de Angola, a lembrar os acordos de paz que acabaram com a guerra fratricida daquele massacrado país. Descemos ao fundo da arquitetonicamente desordenada ilha de Luanda, passámos frente à propalada clínica da Sagrada Esperança e das duas discotecas mais “Inn” de Angola e de África “Chill Out” e “Lokal”. Contemplámos a baía lá do fundo, e a cidade bem de fora da confusão dela naquela hora do dia.

De seguida circulámos pelo centro da cidade, fomos até à parte alta e visitámos a magnífica igreja da Sagrada Família. Uma notável obra arquitetónica, imponente na volumetria, muito bem preservada, e com um interior absolutamente deslumbrante, sobretudo pelas peças figurativas, com relevo para a cruz que sobressai na parede do altar principal e a sobreposição do conjunto retro iluminado que dá a ideia de figuras tridimensionais; o rico desenho da abóbada sobre o mesmo altar e, sobretudo, pela riqueza dos vitrais que ocupam a quase totalidade das paredes laterais e do fundo.

O calor apertava, um sol intenso penetrava no límpido espaço meteorológico, e a grande humidade do ar gerava uma interessante auréola circular à sua volta, visível mesmo para as objectivas mais frustradas de qualquer banal smartphone. Faltava água segura e local próximo para a adquirir. Mas o almoço já era merecido, e foi essa a direcção que tomámos. Um pouco mais enredados em percursos daquela cidade que inspira aos novatos um misto de grandiosidade e frustração, de imponência e decadência, do tudo e do nada, e entrámos para uma zona reservada, em estrada de terra batida no coração urbano. Um largo portão rodado por um de nós, faz-nos entrar num amplo espaço não pavimentado, onde se podiam vislumbrar barracões abertos para arrumações várias e com 2 guardas, fundamentais nestas paragens, não tanto pelo seu valor enquanto tal, mas pelo factor de desincentivo aos muitos e complicados meliantes. Estacionámos mais ou menos à sombra de uma árvore e passámos uma outra vedação, onde se vislumbra uma extensa área edificada, com uma casa central e outras distribuídas ao fundo à esquerda. É uma instituição de solidariedade social, fundamental nesta complicada urbe. É da congregação do Verbo Divino, e serviu neste dia para realizar pelo menos duas importantes “obras de Misericórdia”: dar de comer a quem tem fome, e dar de beber a quem tem sede. Os destinatários, obviamente, eram 17 comensais de fora, designadamente 12 navegantes; o Pe. David; o Carlos e mais 3 voluntárias da nossa Missão que estavam de partida para a lusa pátria no dia seguinte, por términus da sua participação naquelas paragens africanas.

Terminado o repasto, mais uma volta pela cidade, desta vez para a abandonar, rumo ao nosso destino. Baixámos à Samba, passámos os bairros sul de Luanda, com especial destaque para a nova e rica cidade de Talatona (coração financeiro e de negócios de Angola); depois Benfica (que está em todo o lado), e entrámos na longa e conhecida Estrada Nacional 100, que vai de Luanda a Lubango, sendo a estrada mais movimentada de Angola. À saída da grande Urbe de Luanda, no último bairro, “os Ramiros”, avistamos à nossa direita o mar, as ilhas do Mussulo e uma área pantanosa onde se misturam uma vistosa vegetação aquática com aves exóticas e humanos na faina da sobrevivência. Na margem, um mercado informal no meio da maior imundice. Ainda alguns condomínios de luxo e a começar a subir, aparecem os imponentes embondeiros. A partir daqui… quase nada… Espaço, espaço… e pequenas aldeias nativas, numa paisagem que, primeiro nos impressiona pela novidade, e depois nos acaba por entediar, de monótona. Não fora de tempos a tempos, variações de paisagem, por força dos rios, das aldeias e dos embondeiros, e a savana, pigmentada de palmeiras e catos, todos diferentes e todos iguais, acabariam por ser parte dessa monotonia. Ah, e esquecia-me da beleza dos poentes em África. Nos 330 Km que separam Luanda do Sumbe, o nosso primeiro destino, há-de acontecer um pôr do sol, que na foto se tornará mais exótico quando as palmeiras e catos ficam em contraluz como silhuetas sinistras e belas ao mesmo tempo.

A cerca de 35 Km de Luanda, já em plena savana, a dita EN 100 posiciona-se em local plano mas elevado. Uma depressão com cerca de 1 Km a separa do mar, que nos acompanha sempre belo, e azul. Essa depressão está preenchida de vegetação, onde os embondeiros, os catos e as palmeiras dominam. De repente, no enorme talude, uma paisagem “lunar” esbugalha os olhos e abre a boca de espanto. Uma formação multicolor moldada na extensa e profunda parede argilosa, provoca o delírio da sensibilidade. Estamos justamente no miradouro da Lua. Lá estão uma multidão de embondeiros, catos, palmeiras e, ao fundo, um fio branco e contínuo de praia onde o azul se espraia, às vezes numa manta de espuma. Ao longe, os azuis confundem-se. Os picos multicolores (Branco, vermelho, rosa, castanhos diversos) repetem-se como uma imagem panorâmica saída de uma comprida e colorida mancha de Rorschach. Impressionámos o momento nos fundos de uma série de lentes e seguimos viagem.

Aos 75 Km, na Barra do Kwanza, atravessamos uma ainda colonial mas moderna ponte metálica, único local de pagamento de portagem. É um projecto de Edgar Cardoso que continua totalmente operacional. Do lado de lá da ponte, passado o maior rio de Angola, com porte e caudal digno desse nome, entramos na ponta do parque Nacional da Quiçama. São muitos Km2 de mata, savana e aluvião, onde animais selvagens de grande porte levam vida de reis, a começar pela multidão de macacos logo aqui na estrada, estendendo a mão à curiosidade alheia. E têm sorte. Toda a gente pára e sempre há uns amendoins ou bananas, muitas vezes bolachas. Vários tamanhos de pelo menos duas espécies de macacos, exibem as suas habilidades, simpatia e cordialidade. Algumas com filhos bebés agarrados ao ventre, não se inibem à chamada. Não raro deitam mão aos telefones e máquinas fotográficas que desaparecem num ápice mata adentro, sendo aquela zona da quiçama, também um parque de depósito tecnológico. Os navegantes, avisados, não contribuíram para o “macacário” enriquecimento. A ponte é a passagem da província de Luanda para a do Bengo, com capital a norte (Ambriz).

Vencido o verde vale do Kwanza, entramos em completa savana, com a estrada em obras, muito do percurso é feito em picada lateral. Uns 30 Km adiante, passamos, por fora, pelas praias de Cabo Ledo e Sangano, famosas por cá, dado serem as praias onde os luandenses, sobretudo estrangeiros, se vem espraiar ao fim de semana. Nunca frequentam as praias de Luanda, dado o lixo que ali circula. Por isso, 200 Km e muitas filas, são garantidas a quem quer tomar uns banhos de mar. Entramos na província seguinte, a nossa, Cuanza Sul, justamente no rio Lomba. Mais um belíssimo rio, com uma bacia larga e verde, uma péssima ponte, mas arquitetonicamente interessante. Mangueiras começam a ser parte da paisagem nas zonas húmidas, e podemos ver uns barcos construídos de paus que apesar desse formato, são realmente jangadas. Neles pescam e apanham marisco. Voltamos a embrenhar na savana até encontrarmos a única cidade deste percurso, Porto amboim. É uma cidade localizada numa imensa baía, com um riquíssimo passado colonial, hoje votada a grande abandono. Do grande centro piscatório de outrora, resta uma intensa atividade de sobrevivência, mas que polvilha toda a zona com pequenos barcos num movimento inesperado. Da maior zona de escoamento agrícola, das férteis terras da Gabela e Amboim, nada sobra. Dos grandes armazéns da CADA (Companhia Agrícola De Angola) que ocupavam uma enorme área da cidade junto ao pontão marítimo, praticamente nada sobra. Alguns demoliram para nada reporem no seu lugar, outros estão em ruinas e outros ainda, foram recuperados por Chineses, Malianos/paquistaneses ou cadeias de supermercados, para neles se instalarem. Havia uma linha férrea (hoje desaparecida) para trazer café e todo o tipo de produtos agrícolas do planalto, a partir da Gabela, e da riquíssima vila da Boa Entrada, toda construída pela CADA e hoje toda degradada. Por outro lado, a sul de Porto Amboim, foi construído um novo molhes para actividade de gestão logística de exploração de petróleo, junto dos estaleiros, onde está estacionada a maior grua de África. A construção deste molhe está a mudar radicalmente a costa do lado norte, fazendo desaparecer por completo as maravilhosas praias da cidade, porque interferiu com a circulação das chamadas “correntes frias de Benguela” que, de forma natural, tirava e repunha as areias destas praias, processo que foi interceptado com efeitos profundamente negativos.

A partir daqui caiu a noite e os 75 Km até Sumbe foram mais difíceis. Em Angola (excepção para os Missionários, os angolanos e os chineses), é proibido, por impróprio, viajar de noite. Estradas sem marcação, sem iluminação, esburacadas, com transeuntes a pé ou de motas sem qualquer luz, carros sem luzes, avarias com camiões parados no meio da via sem qualquer sinalização que não seja um monte de pedras ou ramos de arbustos… torna-se um perigo, direi mesmo uma inconsciência, andar à noite. A maior parte das empresas proíbem os seus veículos de circular de noite.

Avistámos o Sumbe lá em baixo. Aqui, a cidade iluminada (ao contrário de muitas). Já tem energia da rede, vem da barragem do rio Cambongo. A cidade fica numa planície junto ao mar, completamente cercada de montanhas. Do noite até parece uma cidade a sério. Acabamos de percorrer um lanço de picada, por obras na estrada, que eu próprio fiquei baralhado sobre onde estávamos exatamente. Reencontrei-me no início da acentuada rampa do Chingo, onde parece que vamos de avião a fazer-nos à pista. Há dois anos e meio que aqui não vinha, e tudo igual, para pior. Mas senti-me em casa, porque ainda lá tenho casa. Nesta chegada passei-lhe ao lado, sem entrar, porque a missão era outra e o destino era mesmo outra Missão. Atravessámos a cidade na totalidade, e do que de noite se podia sentir, não engavam os buracos na estrada, o cheiro nauseabundo dos esgotos a céu aberto, do formigueiro de motas chinesas que a esta hora ainda circulavam…

Do outro lado da cidade (sul), íamos agora subir a montanha para a nossa casa, no Bairro da Pedra Um. E aqui, a primeira agradável surpresa. Tinha preparado os navegantes, pelo menos do meu jipe, para o embate que era a subida pelo centro do bairro, numa picada que tinha mais degraus que o escadório do Bom Jesus de Braga e mais buracos que um queijo suíço. Eles ainda acharam que sim, que correspondia á descrição, mas eu surpreendi-me, porque a picada, estando péssima, era uma verdadeira autoestrada comparada com a última vez que há mais de dois anos a transpus. A miséria daquele bairro, iluminada no lusco fusco da singela iluminação, também esta nova, porque antes não existia, já se denunciava suficientemente, mas nada como declarar-se no dia seguinte às claras para se poder descrever.

Depois de muito gingar dentro das viaturas, avistámos uma grande cruz luminosa ali ao fundo. ODJOYETU (a nossa casa – em Umbundo), é o nome da nossa missão, e é mesmo a nossa casa. Ao cansaço de uma noite sem dormir e das longas horas a viajar e a disfrutar… já ninguém sentia senão a euforia da chegada. Uma rápida visita de reconhecimento às instalações da Missão e a distribuição dos sítios de dormida para acomodarmos as nossas coisas. Tínhamos tido um grande problema logístico, uma vez que era suposto trazermos 2 malas cada um, mais a bagagem de mão. Uma mala seria a bagagem pessoal, outra cheia com material que cada um ofertaria à missão. Mas não foi possível, só pudemos viajar com uma mala e a bagagem de cabine. Todos planeámos bem a logística. Houve quem comprimisse a bagagem pessoal na mala de cabine e enchesse os 23 Kg do porão com material para a missão. Ainda tivemos, no embarque, que tirar e redistribuir algumas pequenas coisas, como rebuçados, balões etc. A bolsa exterior da capa da guitarra, veio cheia, e bem gorda, com Tshirt’s e outras utilidades. Mas chegou tudo devidamente ao destino. Agora, quisemos de imediato emagrecer os haveres, para melhor gestão da arrumação das coisas pessoais e, de resto, o destino da maior parte dos haveres, estava realizado. Então, primeiro acto, foi juntar todas as coisas para a Missão, para no dia seguinte se triarem, identificarem e separarem devidamente conforme o destino de entrega e arrumação.

E o frugal jantar esperava-nos. Sopa, pão e fruta, são os ingredientes habituais do menu do jantar. O Pe. David deu-nos as boas vindas, em nome da equipa missionária, apresentou a casa e o plano de todas as actividades dos dias seguintes. Esse plano tínhamos preparado previamente, mas com espaço para todos os ajustes que entendêssemos interessantes ou necessários. As regras básicas da vida diária da Missão, incluíam esse programa, a começar pela ementa do jantar. O levantar diário é às 6 da manhã (que nestas latitudes poderemos equiparar às nossas 7 da europa, dado que se faz dia nestas paragens próximas do equador às 5:30 e noite às 18, invariavelmente durante o ano). Para nos habituarmos, foi concedida uma dilação de meia hora, só no dia seguinte. Então no dia 16, quarta feira, a alvorada ficou programada para as 6:30 da manhã, com “mata bicho” às 7, e oração da manhã (Laudes) na capela, às 7:30.

As instalações disponíveis ou ajustadas, receberam pela primeira vez um grupo tão numeroso. A equipa missionária residente manteve os seus sítios, tendo que se ajustar entre eles para libertarem espaço. As 5 mulheres navegantes (Clara, Teresa, Cristina, Conceição e Raquel) juntaram-se num dormitório improvisado no armazém de roupas e medicamentos, mas com condições de espaço e WC privativo. Eu e o Pedro invadimos com um beliche o quarto do Carlos, voluntário da Missão, o Pe. Artur utilizou o presbiteral aposento, o Carlos, o Gaspar, o Avelino e o Vaz juntaram-se no quarto mais barulhento da Pedra Um.

Não será necessário revelar que ninguém estranhou a cama (que se tenha queixado), e que se dormiu aqui como pedras (não por estarmos na Pedra Um, mas porque o soporífero do cansaço é mais forte que qualquer outro).

Luís Matias

4 thoughts on “DONGA: é difícil subir ao Paraíso… Crónica 2 .

  1. Ção Julião
    Saturday March 2nd, 2019 at 12:38 AM

    Adorei a crónica! Revivi nos relatos sobre Luanda (onde nasci) e arredores. Da igreja Sagrada Família com os vitrais mais lindos que já vi, pertinho da minha casa na Rua Bento Banha Cardoso n° 51-1°andar. Também recordei a Gabela (onde viveram meus avós paternos numa roça de café de seu nome Carlaongo se não estou em erro) Novo Redondo, Porto Amboim e Boa Entrada, terra onde viveu a minha mãe quando aí chegou em 1945 e da CADA onde o avô materno, ido em 1934 com o estatuto de colóno e onde foi guarda-livros…
    Gratidão por me trazer à memória lembranças de um passado que me é tão querido, saudoso e nostálgico.
    Obrigada ❤

    1. Ção Julião
      Saturday March 2nd, 2019 at 11:58 AM

      Ressalvo que a roça de café dos meus avós não se chamava Carlaongo mas sim 《ZAMBULA》Perto da Gabela 💗

      ÇJ

  2. Fernando Faria
    Wednesday February 27th, 2019 at 06:42 PM

    Maravilha!
    Não fui, mas, tirando o almoço no Verbo Divino (de que nem a ementa cheirei) é como se tivesse ido!
    Gostei muito da viagem de jipe, após a saída de Luanda, da sopa do jantar na Missão e da acomodação dos viajeiros (não havendo cão, caça-se com gato)!
    Parabéns ao cronista/guia/animador, o incontornável e mui generoso Luís Matias!

    FF

    1. Luís Matias
      Thursday February 28th, 2019 at 08:50 PM

      Quem tem amigos assim, tem imagem garantida. Pode dormir à sombra da bananeira…
      Posso confessar que me senti “inchado” (no ego, claro), porque um gabanço destes vindo de um escritor a sério, até me torna presunçoso. Lá haverá um amigo padre que me absolverá o pecado, mesmo com penitência. Grato Fernando Faria, um abraço mais que amigo, fraterno.

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