AASVReal: Ecos da Assembleia Geral

AASVR (1024x768)Conforme a convocatória, após a celebração da eucaristia e o almoço, pelas 15 horas iniciou-se a Assembleia Geral, cuja ordem de trabalhos foi alterada, devido aos compromissos religiosos dos homenageados, pelo se iniciou esta reunião com o 3º ponto da ordem de trabalhos.

Durante esta homenagem tomaram a palavra elementos da mesa e alguns associados. Eis uma síntese destas intervenções.

A Ribeiro Aires coube fazer o elogio principal dos dois irmãos, referindo dados biográficos, o percurso sacerdotal, a obra científica, histórica, literária, não faltando alguns sublinhados sobre as suas relações sociais e consequente estima por todos os que com eles convivem. Assim, recordou-se que tendo um, João, nascido em 1932, e, outro, Salvador, em 1934, ambos entraram no seminário no mesmo ano lectivo, em 1944-45. Terminados os cursos teológicos, iniciaram a sua missão religiosa, paroquiando várias freguesias, ao longo dos anos. A sua vida foi, contudo, um caminhar semelhante, paralelo. Ambos se fizeram professores, investigadores, escritores, historiadores e, até, caçadores. “Como párocos foram exemplo de dinamismo sacerdotal e cultural no seio das populações. Cuidaram das almas, estando próximos de cada um e de todos, souberam valorizar o que cada «freguês» podia dar ao outro e à comunidade. Lideraram projectos religiosos, promoveram associações, cultivaram o sagrado e o profano, valorizaram o património material das suas igrejas, deram relevância ao património imaterial. A arte sacra foi uma das suas preocupações. Empenharam-se na inventariação e na sua restauração, papel a que, em especial, se tem dedicado, com maior ênfase, Mons. João Parente, uma autoridade na matéria a nível local e nacional, razão maior para ser o Presidente da Comissão de Arte Sacra da Diocese de Vila Real. Além desta função, outras exerceu ou exerce. Entre elas, a de membro da Sociedade Portuguesa da Numismática, membro correspondente da Academia Portuguesa de História, consultor cultural da Câmara Municipal de Vila Real. Foi o fundador e primeiro director do Museu de Vila Real, a quem doou um acervo valiosíssimo de moedas romanas e de arqueologia, sendo parte substantiva do mesmo adquirido a expensas próprias. Teve papel importante no restauro da Torre medieval de Quintela.” Como investigador e autor, Mons. João Parente tem uma obra notável e que vai ser enriquecida com a publicação de 4 volumes da Idade Média no Distrito de Vila Real, do século VI ao século XVI. Por sua vez, mons. Salvador Parente tem feito um caminho semelhante. A sua obra está marcada pelo estudo dos usos, costumes, tradições e cantares das populações do concelho, das freguesias em que paroquiou e, em particular, de Águas Santas, terra Natal. No momento empenha-se no estudo histórico-artístico da Capela Nova. Como retrato social se pode dizer que “a composição do quadro é homogénea, harmoniosa. As cores são vivas, quentes. No convívio com os seus paroquianos, com os amigos, sempre se revelaram afáveis, atenciosos, ao mesmo tempo que mostravam a sua faceta de bons conversadores e contadores de histórias, animando o momento, se era propício, com uma boa piada, revelando o seu lado humorístico, bem disposto. Como caçadores eram exímios, com fama conhecida. A disponibilidade para ajudar os outros, a partilha do saber é uma constante em cada um. Quando se fala com um ou outro, nota-se sempre um sorriso e nunca se lhes vê altivez, arrogância, ar superior, antes humildade.” Ambos foram agraciados com medalhas de mérito municipal, pela Câmara de Vila Real.

O dr. Alípio Afonso, que, tal como o padre José Dias Gomes, entrou no mesmo ano no seminário, lembrou esses tempos recuados e o convívio com os dois irmãos, incluindo alguns momentos passados em Águas Santas. Ambos, disse, “ honraram os mestres que tiveram. (…) o João foi à cata dos velhos romances e vai expondo toda a sua argúcia e arte numismática. Salvador fez-se refinado literato, escrevendo na linguagem de Miguel Torga, mas também na forma de expressão dos seus conterrâneos. (…) Eles são dois exemplos de como se pode exercer o pleno sacerdócio em parceria com outras ocupações”. Lembrou aqui o Abade de Baçal que foi sacerdote, antropólogo e orador. Testemunhou, de seguida, o dr. João Branco, elemento da direção, advogado em Montalegre, e que fora aluno de mons. João Parente, garantindo que de entre todos os bons professores que teve no seminário, era ele quem entrava na sala mais bem disposto, que mostrava que gostava da matéria – no caso o Inglês. “Nós íamos para as aulas de Inglês, como íamos para as aulas de música.” Fechou a sua intervenção dizendo que tinha muito orgulho na obra de ambos, fazendo votos que ela seja ainda mais profícua. O dr. Barroso da Fonte sublinhou que os irmãos “são duas figuras notabilíssimas … e já não precisam que os colegas falem deles, porque é a cidade e o país que falam e falarão deles… como homens públicos e que já não são só do seminário.” Neste seu testemunho prolixo e bem disposto, Barroso da Fonte fez votos de que daqui a uns anos possa ver o nome dos irmãos Parente em nome de rua da cidade. O dr. José Macieirinha, na sua breve alocução, referiu que foi o mons. João Parente terá sido a pessoa que mais influência teve na decisão de ingressar no seminário, quando, esteve na sua terra natal, sendo pároco o padre Fernandes. Por isso, endereçou-lhe “”um abraço de gratidão”.

Entrava-se na recta final desta homenagem. A direcção da associação agraciou-os com uma singela recordação que grava este momento, como “testemunho de gratidão, amizade e reconhecimento”, como disse o presidente da direcção José Manuel Moura.

Tomaram, então, a palavra os dois homenageados. Mons. João Parente começou por dizer, e explicou depois, que “as obras referidas, que eu fiz, foi Deus que me as pôs à frente”. Como por acaso… escreveu Seminaríada, poema herói-comico, que distribuiu aos presentes, começado quando andava no 5º ano! “Tenho um amor imenso ao nosso seminário. Seminaríada “esta brincadeira”, assim lhe chamou, “fi-la para os meus colegas, por amizade.” Mons. Salvador Parente referiu que deve ao seminário o muito que fez na vida. Ficou confundido, porque viera a este encontro a pedido, mas desconhecida os verdadeiros fundamentos. Agradeceu pois tudo o que foi dito, um tanto exagerado, considerou. Falando da sua obra , explicou como é que ela foi nascendo e crescendo. Uns textos devem-se aos seus paroquianos, os de Provesende, por exemplo, quando lhe pediram um contributo para as suas iniciativas. Outros nasceram no quadro das iniciativas do Grémio Literário e da revista Tellus, enquanto que uns tantos, entre eles a sua obra maior, O Livro dos Provérbios, resultaram de trabalho no âmbito da sua actividade docente.

O presidente da direcção rematou esta homenagem. Tendo ouvido os dois irmãos, concluiu que muito do que fizeram parece ter saído do acaso. “Não. Tenho quase a certeza de que nada acontece por acaso. Bem hajam. Da nossa parte, e aqui vem a propósito, a escolha da homenagem foi «por acaso» espontânea. «Por acaso» também foi muito do nosso agrado e muito aplaudida por todos os que aqui estão. Por muito o que foi dito aqui hoje, talvez, tudo estará dito, nem tudo estará por dizer. É que, «por acaso», esta homenagem, ou uma homenagem qualquer, é no mínimo um acto de reconhecimento e, sobretudo de gratidão. E nós estamos-lhes muito gratos. Bem hajam!”

Tendo a ordem de trabalhos sido alterada por afazeres religiosos dos homenageados

De seguida foram apresentados o Relatório e Plano de Actividades, pelo Presidente da Direcção, a que seguiu a apresentação do Relatório e Contas, pelo Tesoureiro da Direcção.

RIbeiro Aires

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