Conclusões do IVº Fórum

Fomentar a corresponsabilidade eclesial e a participação em projetos que procurem a dignidade humana e os valores evangélicos, é uma das obrigações da UASP…

O P. Rui Valério abordou “o dinamismo da misericórdia na vida das Comunidades cristãs”: partiu do facto do homem viver hoje subjugado pela técnica, sem espaço para a espiritualidade…; falou da mudança epocal que vivemos, menos marcados pela crítica e doutrinas e mais por uma leitura orgânica e simbólica da vida. Neste contexto, a Misericórdia surge, não como é um acto ou um gesto, mas como um processo que se desenvolve dinamicamente, qual relação mãe-filho.

O Dr. Timóteo Cavaco, ao tratar do “dinamismo da Misericórdia no diálogo ecuménico”, partiu do facto da Misericórdia ter a sua fonte em Deus e de passar pelos “corações compadecidos” a caminho dos irmãos necessitados; sendo o orador cristão evangélico, reconheceu ser a prática da Misericórdia um campo em que podemos trabalhar juntos, facilitando o diálogo ecuménico em Portugal, pois, embora não seja muito forte, já existe há cinquenta anos.

O P. Anselmo Borges reflectiu sobre “a cultura da Misericórdia no diálogo entre crentes, não crentes e indiferentes”. Começou por afirmar que se deve usar o coração ao olhar para a desgraça de alguém e que se tem divulgado uma ideia desgraçada de Deus… Cristo veio dizer-nos que Deus gosta de nós e o papa Francisco ao retomar o Evangelho contenta as pessoas: Deus é amor incondicional. É pai e mãe, Deus é razão; devemos avançar com a bondade e a inteligência.

A Drª Maria Rosário Carneiro falou da “cultura da Misericórdia na construção de uma sociedade mais justa e fraterna”. Começou por analisar a desumanização da sociedade atual, identificou problemas e apontou caminhos: cuidar do bem comum, tendo sempre presente a dignidade do homem; promover uma justiça que integre e garanta a cada um o que mais precisa; desenvolver uma solidariedade que seja compromisso e disponibilidade para encontrar novas soluções.

D. Vitalino Dantas, na manhã seguinte, propôs, para meditação, “a misericórdia como perfeição da vida cristã e nome de Deus”, afirmando que a Sua omnipotência e se mostra mais no perdoar – usar de misericórdia – do que no criar, pois na criação não há resistência da criatura que ainda não existe, enquanto no perdão o amor se mostra mais forte que a morte, vencendo a resistência da criatura. Por isso, a perfeição da criatura consiste também na união com Deus que a criou, vencidas e purificadas todas as resistências.

Da parte da tarde, Domingo dia 2 de Abril, decorreu, na mesma Casa de São Nuno, em Fátima, a Assembleia Geral da Primavera onde foram apresentados, discutidos e aprovados o Relatório e Contas de 2016; também se deu notícia das próximas actividades: Jornada Cultural, programada para 1 e 2 de Julho, em Viana do Castelo e Ponte de Lima, e a terceira etapa “Por mares dantes navegados” que nos vai levar a São Tomé e Príncipe para conhecer aquele povo e sua fé.