A Palavra desceu até nós!

Nas últimas décadas, sobretudo depois do II Concílio do Vaticano, tem vindo a crescer entre nós a consciência da importância e centralidade da Palavra de Deus na vida e missão da Igreja; e faz todo o sentido que assim seja e venha a ser cada vez mais, pois ela é, na verdade, “o coração de toda a actividade eclesial” (Verbum Domini [VD], 1).

 

Em primeiro lugar, porque a iniciativa não partiu de nós, mas de Deus! É o dado surpreendente e absolutamente novo da revelação judaico-cristã: Deus fala-nos e quer dar-Se a conhecer no diálogo que deseja estabelecer connosco. Por isso, o Concílio afirma que Deus «fala aos homens como a amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (Dei Verbum, 15).

Este diálogo é possível porque Ele é relação, é comunhão, é amor (1Jo 4,16): plenitude de comunicação que Se nos dá “a conhecer como mistério de amor infinito, no qual, desde toda a eternidade, o Pai exprime a sua Palavra no Espírito Santo” (VD 6).

Este diálogo torna-nos mais humanos porque, “feitos à imagem e semelhança de Deus amor, só nos podemos compreender a nós mesmos no acolhimento do Verbo e na docilidade à obra do Espírito Santo. É à luz da revelação feita pelo Verbo divino que se esclarece definitivamente o enigma da condição humana” (VD 6).

E esta Palavra que diz Deus e explica o nosso enigma “fez-se carne e veio habitar connosco” (Jo 1,14)! Aquele que os céus não podiam conter, abreviou-se: “a Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (VD 12).

E podemos imaginar a imensa alegria de Maria ao sentir o Filho de Deus – o Verbo que se fez carne no seu sim! – a crescer no seu ventre e depois, a sublime emoção ao contemplar a Palavra eterna do Pai feita criança em seus braços! É uma loucura, a loucura divina, ver Deus a precisar de uma mãe e de um pai, a precisar de Maria para Se alimentar, para O aquecer e, mais importante ainda, para O amar!

Aquele que é Senhor do genoma humano e das galáxias encarnou e nasceu de uma mulher (Gal 4,4), percorrendo os caminhos da nossa existência, em tudo igual a nós menos no pecado (Heb 4,15).

E é a partir desta loucura divina e na nossa frágil condição humana que Jesus nos quer falar e descer ao mais íntimo de nós mesmos, ao lugar dos nossos segredos e aspirações, angústias e tristezas, medos e esperanças para nos acolher e abraçar, para nos convidar a celebrar a festa do Seu nascimento, pois Ele é o Emmanuel, o Deus connosco! Ele é a nossa paz e fonte de alegria para todos os homens e mulheres de boa vontade!

Votos de Santo Natal e Feliz Ano Novo!
P. Armindo Janeiro
Presidente da Direcção

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