Avaliação da Vª Etapa “Por mares dantes navegados” …

Reuniram, na tarde do passado Domingo, dia 13 de Outubro 2019, os dois grupos que visitaram e acompanharam os trabalhos da Missão de São José do Gungo, na diocese do Sumbe, Angola, fruto de uma geminação com a diocese de Leiria-Fátima.

Esteve também presente neste encontro, por uma feliz coincidência, o Pe. David Nogueira, responsável pela Missão, e recebemos ainda a visita do seu antecessor, Pe. Vítor Mira.

Da partilha dos presentes, para além de se reconhecer o enorme e diversificado trabalho pastoral e social que ali é realizado pelos missionários, foi por todos sublinhada a riqueza, beleza e intensidade das expressões de fé em que fomos envolvidos.

Esta experiência de fé, ancorada em fortes vivências comunitárias, contrasta com a fragilidade da vida das nossas comunidades e é um grande e estimulante desafio para todos nós.

O Presidente Direcção
P. Armindo Janeiro

Aqui deixamos o olhar poético de um participante:
Calor bravo a sufocar,
E poeira, porque não?
Que miséria, que abandono,
De abafar o coração
Mal chegados a Luanda,
Alguém já nos esperava,
Era o Carlos e o David,
A aguardar nossa chegada.
Uns abraços de saudade,
Foi amiga a recepção.
Os dois jipes aguardavam,
Dois branquinhos de eleição
Era um da Diocese
O outro era da Missão.
Malas postas, arrumadas,
Começou a cu+moção…
Foi difícil a tarefa,
De arrumar tantos chegados,
Enfiámos por terrenos
“Nunca dantes nadegados“.
Visitámos as igrejas
Da Família e da Nazaré,
percorremos a baía,
Ora a carro, ora a pé!
Almoçámos em Luanda
Na Missão Verbo Divino.
Necessário se tornava
Demandar nosso destino.
De Luanda para o Sumbe
Auto estrada de primeira!
Alto aí, e pára o baile!
Pica, pica, picadeira!
Entalados e enlatados,
Que nem peixe a conservar…
Nadegamos por asfalto
E picadas pra embalar.
“Vejam isto, mas bem visto”,
Despedi-vos do asfalto,
Curta pausa pra descansar
Para darmos mais uns saltos.
Velocidade em grande estilo,
Vem travagem inclemente.
É que o nosso motorista
Avistou buraco à frente.
Continua a progredir
Em savana no deserto
Vai dizendo para animar:
“Estamos perto, estamos perto”!
Porto Amboim alí à frente!
-O Avelino indicava:
Foi ali que eu trabalhei.
Era ali que eu morava.
Preparai-vos passageiros,
Pra a descida que aí vem!
Apertai os vossos cintos,
E não se encostem a ninguém!
Sumbe, Sumbe nos espera.
Ruas limpas, um primor!
Não há lixo, não há saltos!
O asfalto é do melhor!
Pedra Um é o nosso bairro.
Sobe, sobe quase a pique.
Construções do melhor que há
Barro e paus para tabique.
Lá Chegámos à Missão,
Um quadrado a brilhar!
Ali sedem voluntários
Com o David a comandar.
De regresso
Devagar, devagarinho,
Há trabalhos na estrada.
Não se enxerga meio palmo
Na poeira levantada!
Tanta tosse, tanta tosse,
Catarreira de enfiada!
Ao tabaco, ai tabaco!
Ai tabaco da picada!
Construção de pau e pique,
Engenharia de ripado!
Se lhe dá o salalé,
Fica tudo escangalhado!
Fomos a Porto Amboim
Acompanhar o Avelino,
Lembrava o antigamente,
Não perdeu de todo o tino.
Foi ali que eu trabalhei
Olha ali onde eu trabalhava!
Bela casa, sim, senhor!
O Avelino exultava!
Visitámos a Igreja,
Onde o filho baptizou.
E com muita devoção
De joelhos ali orou.
Já mudámos um pneu,
Que entretanto ali furou.
O buraco apareceu
E o ar esvoaçou.
Procurai um restaurante,
Não interessa onde fique.
Pois é só tirar da cesta
E fazemos piquenique!
Restaurante Imbondeiro,
Foi chegar e se servir.
Pois estávamos em primeiro
E com fome de ganir.
Pe. Artur Oliveira

One thought on “Avaliação da Vª Etapa “Por mares dantes navegados” …

  1. Quinta, 17 de Outubro de 2019 at 21:32

    Na verdade, cantar os feitos heróicos dos Missionários e Catequistas em terras africanas e a missão dos grupos de enviados da UASP que experimentaram e sentiram como é difícil o trabalho realizado nessas “periferias” reais, só com um poema épico. Foi o que aconteceu e que acabo de ler com muito apreço!……..
    Com um abraço amigo e fraterno

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