Cabo Verde: o meu testemunho…

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Esta viagem não se tratou de uma viagem de turismo nem de descanso muito menos de lazer. Foi tudo isso e muito mais. Foi uma experiência de partilha de vida e de fé com um povo que tem o mesmo ADN que nós e que a história e as políticas nos separaram.

Um povo pobre mas humilde e laborioso no meio de um grande mar de dificuldades no verdadeiro sentido da palavra. Um povo que nos recebeu de mãos abertas e com todo o enlevo de uma alma sequiosa da nossa amizade.

De facto, as paisagens são lindas. Por isso tirei 2230 fotos.  Mas mais lindas, ainda, são as crianças nas escolas que visitamos e os cânticos que nos cantaram à medida que iamos passando pelas diversas aldeias.

Senti-me pequeno e pouco merecedor de tanta festa. Mas foram momentos inesquecíveis de convívio e de comunhão de histórias com um grande leque de personagens de relevo de Cabo Verde e também com muitas outras pessoas anónimas.

Os momentos mais encantadores para mim foram os momentos de convívio tanto na Diocese de Mindelo como na Diocese de Santiago em que os próprios bispos nos presentiaram com a sua arte de cantar músicas populares de Cabo Verde e com muitas outras pequenas e grandes mordomias que para todos nós tiveram uma alegria contagiante.

Por outro lado, o contacto directo com os missionários portugueses nessas ilhas e com as comunidades que eles animam, fizeram-me reconhecer a importância destas instituições e de todos os missionários que se entregam de alma e corpo a um projecto de amor verdadeiro, concreto e real de evangelização e de partilha de vida humana. O seu trabalho que, por vezes visto deste lado, não parece nada de subtancialmente importante, ganha uma nova dimensão e um enorme valor eclesial e espiritual visto do lado real destas comunidades que nasceram e vivem do trabalho dos missionários. Só essa experiencia, por si só, foi merecedora do esforço da realização desta viagem.

Das dez ilhas de Cabo Verde só visitamos três: Ilha de Santo Antão, Ilha de São Vicente e a Ilha de Santiago. Mas para mim e para muitos dos ex.seminaristas e amigos que participaram na viagem foi como descobrir estas ilhas, não em 1460 com Diogo Gomes, mas em 2014 com os bispos e missionários da mesma Igreja Católica da qual faço parte. Talvez por isso me senti em “casa”.

A viagem a Cabo Verde não foi uma viagem de turismo mas uma verdadeira peregrinação pelos caminhos da história de Portugal e pelos caminhos da fé que tantos missionários levaram “por mares nunca dantes navegados” e nós apenas por “mares dantes navegados”.

Por fim, quero agradecer à UASP (União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses) e aos seus dirigentes por este desafio e pela excelente organização desta viagem. Quero também agradecer a todos os que participaram nesta viagem pela empatia, harmonia e amizade que usaram em todos os momentos da mesma. Muito grato. Bem hajam.

P. José Alves

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