Ecos da Guiné: Por mares e ares dantes “navoados” .

20160322_192614( Crónica de saudade da Guiné )

A UASP organizou a 2ª viagem à Guiné Bissau, de 18 a 25 de Março de 2016, na qual me integrei. Éramos doze, dos quais nove aventureiros que nunca tinham ido à Guiné.

Sobrevoámos calmamente o deserto de Marrocos e as águas do Atlântico. Aterrei na minha ex-Base Aérea 12, agora sem aviões, nem gente, mas ainda com as torres de defesa.

Na gare fomos engolidos por dezenas de pessoas a oferecer serviços ou a pedir.

Dali partimos numa carrinha para a Diocese de Bafatá onde fomos recebidos pelo Sr Bispo D. Pedro Pizzi e por dois colaboradores da Diocese, todos brasileiros e de um sorriso sempre aberto. Descansámos do calor (no calor da sala) e fizemos as nossas apresentações.

Nos ias 18 e 19 comemos a comida simples da Cúria. Dormimos sem ar condicionado (que o Bispo também não tem); a ventoinha do meu quarto não funcionava.

No dia 19 tivemos a Missa de S. José e partimos para Bambadinca, Quebo (ex-Aldeia Formosa), Buba e Saltinho (ex-quartel). Aqui almoçámos bom peixe e boa cabra e no fim tivemos a única prova de ostras. Fomos muito bem recebidos pelo dono do hotel-resort.  43º à sombra e 34º dentro de casa!

Passámos a ponte “Carmona” do rio Corubal e saltámos nas pedras “pousadas” que fazem o largo rio descer em cascatas.

Neste percurso visitámos várias instituições de paróquias e missões, onde recebemos muitos sorrisos e deixámos malas com medicamentos ou roupas. Nestes oásis, com outros cuidados nas pessoas e nas casas, vimos muitas carências sem queixumes e muita paz e alegria.

No dia 20 tivemos a solene e alegre Missa de Ramos com uma procissão, com ramos de oliveira e  folhas de palmeira, de mais de 500 m.

Depois visitámos as ruas esburacadas  e as casas quase abandonadas da  Bafatá colonial, onde eu tinha passado dois fins de semana. Aqui sentimos a tristeza de um mundo a degradar-se. A população vive na parte alta com muito pó e lixo nas ruas. Alcatrão? Só em algumas ruas.

O Bispo, apenas com uma cruz de madeira ao peito, a quem deixámos um generoso óbolo, acompanhou-nos sempre nestes 3 dias com o seu sorriso de 30 anos de Guiné.

Viemos dormir a Bissau passando ao lado de Mansoa e voltei a ver Nhacra e Safim, agora com milhares de habitantes.

Ao longo da estrada de alcatrão em bom estado, percorrida a uns 90 kms/h, vendia-se de tudo. Num mundo de paz o cuidado maior era com as cabras e os porcos que gostavam de atravessar a estrada.

No dia 21 partimos para o saudoso Quinhamel, agora muito populoso e divertimo-nos com a Virgínia no bar do seu “Mar Azul”. O barco percorreu o rio Mansoa e o mar, com golfinhos, até à Ilha do Orango. No hotel-Bungalows havia mais um casal. Comemos sempre bem, fomos dormindo, visitámos uma aldeia e passeou-se pela sombra. Alguns tomámos banhos na água morna do mar com areal imenso. O meu colega de quarto não quis oferecer molhados os calções que lhe pediram e solidariamente tomámos um banho nus que, naquele isolamento, não ofendia ninguém.

Regressámos a Bissau, sem almoço não reservado em Quinhamel..( continua)…

Timoteo

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