Ecos do Coração de Viana …

A UASP – União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses, em conjunto com a ASSAB – Associação dos Antigos Alunos dos Seminários Arquidiocesanos de Braga, gizou uma proposta de descoberta do Minho, na parte mais urbana do Alto Minho, que se cumpriu no último fim-de-semana.

A organização tem motivos de satisfação, não só pelo elevado número de adesões ao projecto, mas também pelas reacções exteriorizadas, pelas mais variadas formas, até poéticas, pelos participantes.

Fosse noutro contexto, talvez alardeasse orgulho pelos feitos realizados, como se vê dia a dia na boca dos mais variados intérpretes da vida quotidiana que não se cansam de dizer que têm orgulho nas suas prestações, sejam elas desportivas, artísticas ou políticas. Talvez seja uma forma de auto-motivação incutida pelos seus mentores, mas para nós o orgulho continua a ser um dos sete pecados mortais.

Orgulho à parte, o que diriam aqueles pescadores de bacalhau no fim de seis meses de isolamento por terras da Terra Nova e outras por onde os bacalhoeiros deambulavam, com temperaturas a rondar os trinta graus negativos a trabalhar vinte horas por dia se o mar o permitisse, para providenciar não só o seu sustento, mas também dos que ficavam. Grandes homens reconfortou o navio hospital Gil Eanes, que os apoiou em tantas jornadas! Que emoções sentidas por aqueles que percorreram todos os cantos do navio visitado e que constituiu o primeiro momento de descoberta do Minho, no caso do carácter das suas gentes!

Preliminares gastronómicos de grande qualidade levaram-nos a um prato principal de bacalhau que, de certeza, chegou às travessas menos carregado de sofrimento daqueles que intermediaram o seu percurso até as nossas bocas.

De regresso ao Paço Episcopal onde nos concentramos pela manhã, fomos recebidos por D. Anacleto Oliveira que nos deu as boas vindas e traçou as origens das instalações que ocupamos e que estão à disposição de quem esteja de visita à região e queira fazer daquele espaço de qualidade o seu repouso. Traçou também o retrato dos seus dois rebanhos, embora se tenha concentrado na descrição da sua diocese que, como outras, sofre de desertificação, pois tem muitas paróquias com menos de cinquenta almas. Não se demorou em considerações quanto ao seu segundo rebanho que é mesmo composto por ovelhas que desfrutam a bela quinta onde estão integradas.

O primeiro dia da jornada terminou no Santoinho. Haverá alguém que não tenha ouvido falar? Mas uma coisa é o que se ouve e outra o que se vê. Se calhar cometem-se ali alguns excessos, pois não há quota definida para sardinhas, churrascos de porco e frango e, claro, vinho a jorros. Mas também não há quotas para a alegria que é imensa e foi bom de ver a desfilar e dançar tantos antigos alunos que, não obstante a idade, ombreavam com os mais novos em qualidade de movimentos e expressão. Que bom que foi!

Fez bem a organização em alterar o programa da manhã de domingo, inicialmente pensado para um museu, que certamente seria interessante e pedagógico, mas depois de uma noitada daquelas não se podia pedir grande concentração intelectual. Pedia-se, isso sim, tranquilidade para todos os sentidos! E para isso nada melhor que aquele jardim em Ponte de Lima que, além de naquele domingo ser palco de um festival de jardins do mundo, ele próprio integra magníficos jardins na margem direita do rio Lima, na mais antiga vila de Portugal que é, diz-se, Ponte de Lima. Pelo que constatamos aquele jardim merece uma visita todos os dias do ano. Ouviu-se uma participante dizer: “Se vivesse mais perto, não sairia daqui!”

Do jardim botânico passamos para um jardim gastronómico, onde decorreu o almoço de domingo, com um dos ex libris da região, os rojões à moda do Minho que, embora um pouco pesados para a época, os participantes não poderiam deixar de degustar.

Do restaurante para o adeus, no salão nobre do palácio episcopal, onde foi patente a satisfação dos participantes e a emoção dos organizadores, em especial do Dr. Manuel Domingos. Parabéns à organização que tudo fez para a manutenção do slogan de Viana do Castelo “Quem Gosta Vem, Quem ama Volta!

Américo Vinhais
Gabinete de Comunicação

 

 

 

One thought on “Ecos do Coração de Viana …

  1. António Borges da Cunha
    Sábado, 8 de Julho de 2017 at 22:16

    Gostaria de estar presente mas com uma filha de visita, que já não via há três anos, e que acabei de levar ao aeroporto, não tinha outra opção.

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