Navegando entre a Madeira e o Porto Santo …

Por mares dantes navegados – IV etapa
Memórias da Madeira e Porto Santo

Montados em dois objetivos bem definidos previamente pela direção da UASP (União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses), conhecer a comunidade cristã e o seu património, ainda dentro de um estio continental bem cálido, aportamos a 15 de Setembro corrente na cidade do Funchal, terra muito devota a S. Tiago Menor, padroeiro da cidade, em tempos idos escolhido por sorteio para o efeito e, sobretudo, a Nossa Senhora do Monte, a padroeira de toda a região, cuja capela visitamos pormenorizadamente e de onde pudemos desfrutar de deslumbrantes vistas, onde encontramos um clima bem mais ameno que o continental, com uma amplitude térmica muito agradável em todos os momentos de presença na região.

Não pretendendo escalpelizar cada momento da IV etapa do projeto “Por Mares Dantes Navegados” da UASP pela perspetiva de quem escreve, o que seria fastidioso, ficamo-nos pelos aspetos gerais e pelo que parece ter sido o sentimento de quem viveu uma semana intensa plena de sabores, paisagens, história e culto.

Até porque o programa da viagem contínua disponível em www.uasp.pt e, com o auxílio do Google, podem ser esclarecidos alguns e complementados outros aspetos que tenham escapado à atenção dos participantes, envoltos e absortos por tamanha beleza que os circundava e facilmente distraía. Um sentimento vivido, tal qual como na vida, subindo e descendo…, sobretudo na Madeira, já que o Porto Santo é mais plano e menos exigente fisicamente, embora muito árido. Certamente que outros não deixarão de relatar a sua experiência e sentimentos.

Sendo uma viagem também imbuída por espírito de missão, destacamos a visita de cortesia que o grupo fez a D. António Carrilho, o bispo do Funchal que agradeceu a “atenção” para com ele mas, sobretudo, agradeceu a “atenção para com a Igreja Local” que é gente boa e de fé, mas que vive quase prisioneira. Realçou que não será fácil encontrar noutras dioceses uma sociedade tão multicultural como a ali existente. Realçou ainda o sentido missionário da diocese, que encorpou uma importante plataforma de missão ao longo dos séculos.

Nessa visita o presidente da direção da UASP, o Pe Armindo Janeiro, aproveitou para reafirmar perante a máxima autoridade eclesiástica local, as linhas programáticas da União que passam pela reflexão, pela espiritualidade e pela cultura, objetivos também prosseguidos pela viagem “sub judice”. Frisou ainda o que ali fomos conferir, o que recebemos do passado, tentando ler o presente e projetar o futuro, que é isso que importa nas nossas vidas.

Foi bom conhecer a vitalidade da igreja na cidade de Câmara de Lobos, uma cidade de músicos que escolheu naturalmente Santa Cecília como padroeira, de uma das suas paróquias, que visitamos mais pormenorizadamente. De facto, é impressionante a fé daquela gente, não porque tenham existido contatos diretos com a população local, que não houve, pois era dia de trabalho, e como trabalhosa é a vida daquela gente, mas pelos indicadores que o pároco da freguesia, o Pe Francisco Caldeira, nos forneceu e que constam do seu sítio na internet: 9.260 almas, 1.150 pessoas a colaborar nas atividades da igreja, 1.350 crianças na catequese, 106 catequistas, 1.452 batizados nos últimos dez anos e 36 casamentos católicos por ano em média nos últimos dez.

A fé do povo está marcada pela grande quantidade de templos espalhados por todo o arquipélago e de títulos conferidos a Nossa Senhora, certamente gerados pelas circunstâncias e dura realidade de cada madeirense ao criar, ao longo dos tempos, uma cidade que vista da costa sul à noite faz lembrar um presépio que os madeirenses recriam dia a dia. Dizia o Manuel Gama, homem de grande conhecimento, mas também de paciência e lucidez, que a vida do madeirense é colocada no presépio, no altar e nas igrejas. Mas a fé está também presente nos museus que visitamos.

Foram os franciscanos que mereceram a confiança do rei para acompanhar os descobridores e povoadores do arquipélago e mereceram essa confiança ao longo dos séculos, embora hoje reste apenas um dos cinco conventos que já detiveram na região. Trata-se do Convento de S. Bernardino de Sena, fundado em 1459/1460 e recentemente restaurado, que foi abrigo de Frei Pedro da Guarda, o Santo Servo de Deus para os madeirenses, que ali se terá refugiado para se recatar da sua notabilidade e constantes louvores a que era sujeito na sua cidade natal, a Guarda, vivendo humildemente como cozinheiro. Mais tarde a maçonaria haveria de queimar tudo o que lembrasse o piedoso frade, para apagar a devoção do povo. Sobrou apenas uma imagem, que foi distribuída aos participantes em pagela, mas a sua memória contínua viva na memória do povo madeirense.

No final, feito o balanço, concluiu-se que foi uma jornada muito profícua, embora para um ou outro participante, um tudo-nada pesada, face à extensão do programa, que exigiu muito sob os pontos de vista físico e mental, mas que as serenatas lideradas pelo Matias ajudavam a esquecer. Parece-nos contudo que globalmente o balanço geral foi positivo, muito positivo, e concluir pela oportunidade da parábola que Monsenhor Luciano Guerra nos contou serra acima a caminho do Cabo Girão, que aponta para que a avaliação do produto, no caso dos sapatos, apenas deve ser feita após a execução da obra e experimentação do resultado.

Aos responsáveis de cada monumento, de cada museu, de cada local visitados, de cada guia que nos conduziu e proporcionou conhecimento em vários aspetos, agradecemos o enriquecimento pessoal.

Em particular agradecemos ao Manuel Gama o programa sabiamente elaborado e cumprido e, a Monsenhor Luciano Guerra os ensinamentos que aqui e além nos transmitiu com eloquência e sabedoria. Agradecemos também a sua agradável companhia.

Agradecemos também a todos os participantes que proporcionaram aos restantes a oportunidade de acrescentar outras amizades às suas vidas.

Américo Vinhais
Gabinete de Comunicação

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