O 1º “Encontro Virtual” dos antigos alunos franciscanos!.. .

Inicio o meu comentário sobre o nosso “Primeiro Encontro Virtual” com um pequeno, mas belo e sugestivo poema de Sebastião da Gama. Para nos comunicar o sentido das coisas ninguém melhor do que os poetas:

Pelo sonho é que vamos
comovidos e mudos,
Chegamos? Não Chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não Chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.

Na verdade, foi pelo sonho que partimos e chegámos ao nosso “Encontro”! Sempre com fé e esperança. Com a alma e a alegria franciscanas partimos para o desconhecido…

…O nosso “Encontro” nacional há anos que tinha uma data fixa, o último sábado de Maio. Era um dia especial que se registava na nossa agenda pessoal e guardava no coração.
Mas, em 30 de Maio de 2020, assim não aconteceu. As causas todos as conhecemos. Cumprimos o distanciamento social, familiar, de amigos e companheiros de poucos ou muitos anos. Entretanto, as novas tecnologias, que tantas vezes desumanizam as relações sociais e familiares, desta vez conseguiram o milagre de aproximar alguns antigos alunos que andavam distantes! Bateram à porta e entraram na casa de cada um. Do estrangeiro, das ilhas, do continente; chegámos! Somos franciscanos.
Após o acolhimento pelo gestor da “plataforma zoom” fomos convidados a participar na Eucaristia, celebrada pelo Assistente Espiritual da nossa Associação, Frei Daniel Teixeira, da Fraternidade de Coimbra, na Igreja dos Santos Mártires de Marrocos.

O tema de reflexão para o “Encontro” presencial de 2020, desde o início do ano que estava escolhido: “A Vocação Franciscana de Santo António”, comemorando, assim, o Oitavo Centenário. Ora, o local não podia ser mais apropriado. Os cinco primeiros mártires da OFM foram mortos, em Marrocos, em Janeiro de 1220. Partiram de Assis, em 1219, após o Capítulo Geral do Pentecostes. Chegaram a Coimbra, onde residia a Corte Portuguesa, e aí permaneceram algum tempo. Encontraram-se com a piedosa Rainha D. Urraca, esposa de D. Afonso II, que lhes facilitou, depois, a viagem para Marrocos. Antes, terão passado alguns dias no Mosteiro de Santa Cruz e, ali, conheceram pessoalmente o Cónego Fernando.
Aquando do martírio dos cinco frades menores, o Infante D. Pedro, irmão do Rei D. Afonso II, encontrava-se em Marrocos com o seu Capelão D. João Roberto, também ele Cónego Regrante de Santo Agostinho, a quem foram entregues os restos mortais. Acompanhou-os até ao Mosteiro de Santa Cruz onde se guardam como relíquias. Nessa altura, D. Fernando de Bulhões, com cerca de 30 anos de idade, perante o testemunho do martírio destes frades simples e pobres, toma a decisão radical de vestir o hábito franciscano! E troca o nome de Fernando pelo de António, deixando os frades menores do Eremitério de Santo Antão dos Olivais a transbordar de alegria…
Santo António, único santo português Doutor da Igreja Universal, proclamado por Pio XII, em 1946, com o título de “Doctor Evangelicus”.

E… os antigos alunos, de várias gerações, chegavam, de perto e de longe, à “sala de visitas”. Contavam histórias que, apesar dos anos, nunca se apagaram! E até, os agora septuagenários, naturalmente emocionados, reconheceram as crianças, os adolescentes e os jovens de então!…

Afinal, as virtudes das novas tecnologias humanizaram os reencontros do nosso “Encontro”! Na alegria, humildade e simplicidade franciscanas houve testemunhos de profunda fraternidade e solidariedade que nos encantaram! Certamente que os nossos Santos Francisco e António também se alegraram com “O Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor…”. E neste tempo de pandemia que tanto sofrimento tem causado, sobretudo aos mais pobres e frágeis, cantaram o “Hino das Criaturas” ao Deus Pai, Criador do Mundo, pedindo a Sua Paternal Compaixão pela Humanidade

… Assim sendo, temos Fé e Esperança de nos reencontrarmos, no São Martinho, na nossa “Casa comum” de Montariol. Ali, no dia 14 de Novembro, o sábado mais próximo da festa do Santo, realizaremos o tradicional Magusto com as castanhas transmontanas, “boas e quentes”, regadas com jeropiga e acompanhadas por outros sabores…

… Até lá, abraço amigo e fraterno de Paz e Bem.
Alfredo Monteiro

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