Pelas ruas e caminhos da “Cidade e da Serra” .

A última Assembleia Geral da UASP realizou-se, no início da Primavera, no Convento Franciscano da Portela, em Leiria. Era, de novo, o regresso ao conforto da sua terra natal onde nasceu em Setembro de 2011. Na “Ordem de Trabalhos” estavam inscritas, para apreciação e votação, duas propostas relativas às “Jornadas Culturais de 2019”. Certamente inspirados pela espiritualidade franciscana, de louvor ao Criador e do cuidado pela “Casa Comum”, os participantes votaram, maioritariamente, pela “Cidade e a Serra”.

…E os nossos Irmãos Carmelitas, confortados pela maioria absoluta que lhes foi dada e merecida, proporcionaram-nos um programa de excelência. No fim de semana alargado, de 13 a 15 de Setembro, um grupo de cerca de meia centena de antigos alunos, familiares e amigos da UASP, vindos do Sul, Centro e Norte, chegaram, manhã cedo, ao Seminário Bom Pastor, em Ermesinde. O Lino Vinhais lá estava a acolher-nos fraternalmente e generoso, de portas e braços abertos, momentos registados pela máquina fotográfica, sempre próxima e disponível, do Evaristo…

Antes de iniciar a nossa “caminhada”, permitam-me uma pequenina nota prévia. Os destinatários desta crónica são, prioritariamente, os “ausentes assíduos”, porque os participantes viveram e sentiram a experiência inolvidável destes dias maravilhosos. O meu propósito é no sentido de ajudar à divulgação das actividades da UASP, reforçando o interesse e a motivação de todos os associados pelas diversas actividades, anualmente, desenvolvidas. E, também, contribuir para, mais tarde, recordarmos a nossa história que, pouco a pouco, estamos a escrever…

…Dito isto, vamos lá, amigos e companheiros, percorrer as ruas e os caminhos da “Cidade e da Serra”. O primeiro dia foi dedicado às cidades do Porto e de Gondomar. Vários achados dizem-nos que, em Gondomar, viveu gente desde a pré-história. A exploração das minas de ouro e a posição estratégica do “Crasto” confirmam a permanência dos romanos nestas terras. A origem do nome é atribuída ao rei visigodo “Gundemaro” que, em 610, teria aqui fundado um Couto. Gondomar é mundialmente conhecida pela sua indústria de ourivesaria. E foi assim que visitámos o “CINDOR”- Centro da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria. Nascem, neste concelho, as famosas obras de arte em cujas áreas tradicionais se distinguem a filigrana, a talha e as miniaturas de barcos ligados ao rio Douro. Adiante, visitámos a Casa Branca de Gramido onde, em 1847, se realizou a “Convenção” que terminou com a guerra civil da “Patuleira” e, consequentemente, promoveu a chamada “Paz de Gramido”.

Após o almoço navegámos no Douro, contemplando a cidade ribeirinha e os seus belos e grandiosos monumentos; as pontes imponentes, obras sublimes de arquitectura e engenharia, sinais de proximidade entre os povos e as regiões, ao contrário dos muros que hoje se levantam e dificultam o acolhimento dos emigrantes e dos mais frágeis. Depois, subimos à “Casa Episcopal” onde o Senhor Bispo auxiliar do Porto, Dom Pio Alves, nos acolheu fraternalmente. Terminadas as saudações, ouvimos palavras amigas e motivadoras  no sentido da UASP continuar fiel à sua Identidade e Missão e visitámos o Palácio.

O dia seguinte foi o mais longo; Vale de Cambra e Arouca. A subida à serra, as “Montanhas Mágicas”… O museu geológico a céu aberto!…”As Pedras Parideiras”, designação popular, em plena serra da Freita. Os mistérios dos “Tribolites”, colecção única de fósseis recolhida  nas ardósias da “Pedreira do Valério”, em Canelas. Fósseis formados há cerca de 465 milhões de anos! Uma viagem no tempo e na história!…

O grandioso Mosteiro de Arouca. E lá no cimo, a mais de 700 metros de altitude a Capela “Senhora da Mó”com a sua lenda e as festas populares, vividas anualmente com todo o brio e cuja comissão organizadora é apenas constituída por homens! Na hora da visita o céu abriu-se generosamente e a chuva caiu abundante a regar as flores e as ervas, as carquejas, os arbustos e as árvores dos montes…

As paisagens deslumbrantes, os espaços bucólicos, as gentes simpáticas, as vivências fortes deste dia foram boas e agradáveis aos nossos olhos. E, na descida da serra, agradecemos ao Criador, pedindo a ajuda da “Senhora da Mó”, rezando o terço e cantando…

Enriquecidos com a visita ao Mosteiro de Arouca, com os sabores da doçaria conventual, a caminhar no território classificado como “Geoparque Mundial” da UNESCO, regressámos ao Seminário Bom Pastor, alegres e felizes, para o merecido jantar de convívio e de um sono em paz e repousante…

Domingo, o dia do Senhor, dirigimo-nos à Sé do Porto para participarmos na santa missa, celebrada pelo padre Armindo Janeiro, dirigente principal da UASP sempre próximo e, connosco, amigo e companheiro presente. Participante activo nas assembleias gerais, jornadas culturais, fóruns e missões, quer em território nacional, quer no longínquo chão africano… Terminada a Eucaristia, admirámos os claustros da Sé com os seus azulejos. E, de seguida, ainda houve coragem, mesmo os mais idosos, para subir os 80 degraus da Torre da Sé! Mais perto do céu, com o sol aberto e aquecedor, a beijar as pessoas e os monumentos, sentimo-nos pequeninos perante a visão deslumbrante e esmagadora da cidade e do rio, património da humanidade.

Refeitos do esforço da subida de tantas escadas em caracol, pelo encanto da paisagem humana e arquitectónica, descemos da Sé para a Ribeira. Com o rio mais próximo percorremos a margem esquerda, lado a lado, e cruzando com jovens, adultos e idosos, de origens diversas, a pé ou de bicicleta; uns deitados na areia, gozando o sol da praia, outros nas esplanadas e ainda outros a caminhar…, como nós, até ao Castelo do Queijo!… O apetitoso almoço já nos aguardava em Matosinhos. Finalmente, foi o regresso ao ponto de encontro, o Seminário Bom Pastor. Aproveitámos a curta viagem e o conforto do autocarro para, juntos, procedermos a uma avaliação última destas inesquecíveis “Jornadas Culturais”. Assim, todos os avaliadores evidenciaram a proximidade, a amizade e a solidariedade do grupo “dos 54” e o elevado brilho da organização. E todos concordaram, igualmente, que o nível foi muito elevado, graças à esmerada preparação, conhecimento e grande competência dos nossos amigos Carmelitas, mormente do Lino Vinhais, guia sábio e tolerante, e do Evaristo que, sempre bem humorado, foi capaz de, em todos os instantes, conquistar o grupo para… “só mais uma foto”!… E, assim, tudo foi registado para memória futura!…

… Até para o ano, se Deus quiser, no Vale do Ave, para as “Jornadas Culturais de 2020”

Alfredo Monteiro, AACFranciscanos

2 thoughts on “Pelas ruas e caminhos da “Cidade e da Serra” .

  1. Américo Vinhais
    Domingo, 29 de Setembro de 2019 at 19:33

    Na sequência das pretéritas Jornadas Culturais da UASP, de várias formas, foram-nos chegando palavras que não se esquecem facilmente, o que agradecemos encarecidamente. Contudo não realizámos nada de mais! Foi um prazer e uma honra ter servido quem superiormente nos tem servido a nós. Muito obrigado a todos os participantes e, de uma forma particular, ao Alfredo Monteiro que, do nosso ponto de vista, descreveu o que se passou de uma forma superior, tal como todas as suas intervenções o são habitualmente: elevadas e enlevadas, traduzindo o pensamento e obra franciscana, de que é um lídimo representante. Muito obrigado.

  2. Sábado, 28 de Setembro de 2019 at 19:59

    Não foi possível acompanhar-vos. Espero que o possa fazer numa próxima vez.
    Gostei do programa e as fotos estão a comprovar a satisfação de todo o grupo participante.
    Abraço fraterno por toda esta partilha

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