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Domingo, Julho 14, 2024

A liberdade do Amor

“Como estavam a chegar os dias de ser levado deste mundo, Jesus dirigiu-se resolutamente para Jerusalém…” (Lc 9,51). Lucas conta-nos que, depois das palavras e sinais realizados na Galileia, Jesus tomou a firme decisão de subir à Cidade Santa para ali cumprir, em definitivo e com a Sua total doação na cruz, o projeto amoroso de Deus Pai.

Não Lhe bastou o que tinha dito e feito! O amor do Pai pela Humanidade – refém de ídolos, pecados e medos – impele-O para o derradeiro combate a fim de que, acolhendo em Si mesmo todos os impossíveis que nos humilham e derrotam, restaure a esperança e faça emergir caminhos novos de vida e alegria, amor e liberdade.

O amor de Jesus cuida! Ele não se focou nas consequências pessoais do que ia fazer, mas no que queria testemunhar e partilhar connosco; as falsas acusações, as invejas e rejeições não O fizeram mudar de rumo, quando muito evidenciaram ainda mais os sentimentos mesquinhos e a maldade dos que planearam e executaram a Sua condenação.

O amor de Jesus liberta! São Paulo diz-nos que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Em “Os Irmãos Karamázov” de Dostoiévski, o Grande Inquisidor acusa Cristo de sobrestimar o homem. Segundo ele, o homem não quer ser livre, a liberdade angustia-o: ter de escolher sem poder ficar com tudo, atormenta-o e fá-lo acomodar-se às seguranças sedutoras das ideologias dominantes.

O Grande Inquisidor, cinicamente, fazendo-se eco de todos os projetos totalitários da história, reprova o comportamento de Jesus por não ter percebido o homem: em vez de se “apoderar da liberdade das pessoas, [Jesus] acrescentou ainda mais à sua liberdade!”. E para nós fica a provocação: estamos decididos a ser livres, queremos mesmo correr esse risco?

No amor de Jesus, a invenção da liberdade! É a humildade do Seu amor que nos atrai e faz acreditar na nossa libertação. A seriedade e grandeza da Sua entrega, reveladas no escândalo e na loucura da cruz (1Cor 1,23), funda a certeza de que nada nem ninguém nos poderá separar do Seu amor (Rm 8,39). Com Ele podemos fazer caminho…

No amor de Deus, a invenção da nossa vida! Que Ele nos dê a graça de sonhar o futuro, inspirados nos gestos e atitudes de Seu Filho, e não nos falte a ousadia para percorrer o caminho das nossas vidas com a confiança que Jesus depositava em Deus, Seu e nosso Pai!

Santa Páscoa do Senhor Ressuscitado para todos!

P. Armindo Janeiro

One thought on “A liberdade do Amor

  1. O Padre Armindo Janeiro já nos habituou, com a sua disponibilidade e partilha, a desfrutar de belos textos para meditação. Aqui está outro para este tempo.
    Feliz e Santa Páscoa para os irmãos e companheiros da UASP.
    Abraço fraterno
    Alfredo

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