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Segunda-feira, Outubro 03, 2022

ALPHA,  DELTA  E  ÓRIGON – O vírus camuflado, por Alfredo Monteiro

O Abraço de Esperança, João Tomane (Moçambique)

Quando em princípios de Março de 2020 o COVID19 entrou em Portugal, vindo já de outros países europeus, apanhou quase toda a gente de surpresa! Apesar das notícias que chegavam sobre a sua agressividade foi, no entanto, desvalorizada a sua presença. Até as próprias autoridades de saúde andavam confusas e perplexas! E não definiam, com rigor, o modo de o combater!

O inimigo, na guerra de guerrilhas, ataca sempre de surpresa e em locais inesperados; com cercos, emboscadas e golpes de mão. Assim foi com o vírus que nos apanhou desarmados! Depressa se esgotaram as poucas máscaras, as luvas, o gel e o álcool. O equipamento de protecção sanitária atingiu preços elevados.

Depois, com o estado de emergência, foi o distanciamento social, o confinamento e o sofrimento. O mundo parou! Mas, como escreveu o Cardeal Dom José Tolentino “… foi a hora em que podemos reaprender tantas coisas. Reaprender a estar nas nossas casas, mas também a sentir quem depende de nós”. O filósofo Aristóteles afirmou que o hábito cria em nós uma segunda natureza. Porém, o covid19 obrigou-nos a mudar as rotinas e alguns comportamentos do quotidiano. Reaprendemos muitas coisas, alterámos a maneira como comunicamos e nos relacionamos.

Passados quase dois anos, a confiança e a segurança sanitária ainda não foram restabelecidas, porque, entretanto, o “inimigo” tornou-se mais sofisticado nas cinco vagas que leva de ataque! Para o suster, a nossa “defesa” foi assumida por um estratega militar, de elevado prestígio. Vestiu o camuflado, e reconhecido o seu trabalho, organizado, eficaz e eficiente,  foi capaz de mobilizar os portugueses e distribuir-lhes a “arma” da vacina. Sabemos que na guerra há sempre alguns “desertores”. Ao recusarem as vacinas contribuíram e continuam a contribuir para aumentar o número de feridos e de mortos. Sempre aprendi que o “Bem Comum” (neste caso o da saúde pública)  prevalece sobre o particular e que a minha liberdade termina quando  os meus actos prejudicam os outros cidadãos.

Neste cenário de “guerra”, invocando, de novo, o Cardeal e poeta, Dom José Tolentino, sinto o vazio de “todos os abraços não dados”. Procurando  exprimir a minha dor, criei um poema, “O CONFINADO”, que a seguir transcrevo:

Hoje acordei cedo
com medo que o dia
não rompesse
e o sol nascesse infectado!
Ando de lado para lado,
passo a passo,
à procura do teu abraço.
Corro as ruas da cidade,
os campos da aldeia,
com a ideia e a vontade
de te encontrar
e o desejo de te abraçar
em liberdade.
Mas, neste desencontro
não te encontro,
não te vejo!
E pergunto, Senhor,
porquê esta dor enorme
que tanto nos consome?!
Porquê o amigo distante e fechado,
o povo doente e calado,
o trabalhador desempregado;
o céu adormecido,
o nosso rosto escondido,
sem me despedir
do irmão que vai partir?!
….E oiço na dor
a gente que diz:
“Não sabia, Senhor,
como era feliz”!!….

Alfredo Monteiro, AAAFranciscanos

Nota: Pintura de João Timane (Moçambique), intitulada “O abraço de Esperança”

One thought on “ALPHA,  DELTA  E  ÓRIGON – O vírus camuflado, por Alfredo Monteiro

  1. Partilhar frustrações, procurar AMIZADE, ansiar por transmitir confiança, negar o desespero e sobretudo dar alento aos desafortunados, deveria ser a ambição de todos os HOMENS. Parabéns, Alfredo, pela partilha. Abraço, J Gomes

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