Durante o ano de 2025, Ano Jubilar e Santo, os Padres e Irmãos Franciscanos celebraram em todo o Mundo o Oitavo Centenário do “Cântico das Criaturas”, o poema mais belo sobre a Natureza em que Francisco de Assis canta as maravilhas do Criador. A Terra, “Casa Comum” da Humanidade, reivindica aos países mais ricos e maiores poluidores que mudem o seu estilo de vida, que façam a sua conversão ecológica. Mas cabe-nos, também, reconhecer que todos somos responsáveis pelas agressões que, diariamente, sofre o Mar e a Terra. Escutemos o saudoso Papa Francisco que, inspirado pelo Santo de Assis, exortava, incansavelmente, o povo e os governos das nações a cuidarem da Criação, porque a reconciliação com a Natureza é um dever de todos nós. E os cristãos devem ser os primeiros a moldar o seu comportamento ambiental, como nos ensina a Encíclica Laudato Si. Seria maravilhoso que a formação ecológica se iniciasse na família, continuasse na escola e na catequese paroquial. Infelizmente assim não acontece! Assistimos nas últimas festas de Natal e fim do ano, sobretudo nas grandes cidades, ao triste cenário de ver o lixo espalhado pelas ruas, apesar dos muitos ecopontos; montes de sacos abertos, uma mistura de resíduos avulsos !… Ainda há muitos munícipes que não fazem a reciclagem! E sabendo que nessas noites não seria recolhido pelos Serviços Municipais nem sequer tiveram o brio de o guardarem em casa, até ao dia ou dias seguintes, para não conspurcarem o chão e o ambiente!…
A espiritualidade franciscana conduz-nos à contemplação da beleza e da grandeza do Universo com a imensa vastidão de seres vivos. Francisco de Assis fala de Deus entre os homens e entre todas as criaturas. Entendeu a Natureza como “uma linguagem na qual Deus fala connosco”. “Compreende o mundo como morada, é um construtor da Casa Comum”, patrono e inspirador dos ecologistas. Viveu a cantar, a saudar e ao aproximarem-se os seus últimos dias terrenos começou, igualmente, a louvar a Deus pela “Irmã Morte”! Do seu amor profundo por Jesus Cristo amou também todas as criaturas. A missão de todos nós é cuidarmos da “Casa Comum”. Porque, se continuarmos a ofender o meio ambiente teremos sempre a resposta pronta das alterações climáticas, dos fenómenos extremos e desastres naturais, como tem acontecido em tantas paragens do Mundo. São milhares de espécies em vias de extinção! O aniquilamento da vida selvagem é uma ameaça à nossa Civilização. Como seria desolador para as gerações vindouras herdarem o Planeta como inimigo?! Felizmente começaram a emergir vários movimentos juvenis que exigem dos governantes das nações uma nova relação com a Natureza ao reconhecerem que é pela acção dos homens que se altera a face da Terra.
Ao Cântico das Criaturas acrescentou Francisco “O louvor pelos que perdoam”. Louva os promotores da paz e do perdão, tornando o Poema um pacto de reconciliação com todas as criaturas e com os homens e mulheres. É um pacto de Paz da Natureza com a Família Humana. Francisco, como já disse acima, louva também a própria morte, “indo alegremente ao seu encontro: bem vinda sejas minha Irmã Morte”, morrendo nu nos braços da “Irmã Terra”.
Concluo, inspirado nos textos do Frei Isidro Lamelas, Padre franciscano e Professor na Universidade Católica, publicados no jornal ”Missões Franciscanas”; inspirado, também, num texto publicado na revista “Terra Santa”, intitulado “Quando o Céu nos fala”, de Cayetana H. Johnson, Universidade Eclesiástica de San Damaso, Madrid. Dizem-nos os dois autores que, no Cântico das Criaturas São Francisco eleva o seu louvor a Deus por meio das Criaturas, chamando de irmão e irmã numa linguagem de imensa ternura. Dá um lugar privilegiado às figuras celestes, “Irmão Sol”, “Irmã Lua” e as estrelas. Aqui a poesia torna-se numa oração cósmica e o Universo faz-se um Sacramento visível do invisível. A Estrela de Belém que guia os Magos até ao Menino, sinal tangível de um guia divino que usa a Criação para falar à Humanidade. Há uma íntima conexão entre o Cântico de São Francisco e a visão bíblica do Céu, onde as estrelas são sinais divinos e instrumentos de comunicação entre Deus e o homem
Alfredo Monteiro (AAAFranciscanos)
