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Quarta-feira, Maio 29, 2024

DEZ ANOS COM O PAPA FRANCISCO, por Alfredo Monteiro

Após a renúncia de Bento XVI é eleito Papa, a 13 de Março de 2013, o Cardeal Jorge Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires. Ao escolher o nome de Francisco disse à Igreja e ao mundo como ia viver o seu Pontificado. Inspirado por Francisco de Assis, o Irmão universal, fez a opção pelos pobres, pela fraternidade, pela simplicidade e pela ecologia integral. Prega a “Alegria do Evangelho” mais com o testemunho pessoal de que com bonitas palavras ou longas homilias. Pôs a Igreja a “mexer”, de saída para as periferias onde encontramos os “sem voz e sem vez”, aqueles de que ninguém fala. O Papa Francisco, derrubando muros e construindo pontes, cultiva a proximidade e o encontro, a Fraternidade Humana (Fratelli Tutti). Convida todos os baptizados a caminharem juntos, sem deixar ninguém para trás, de regresso a uma Igreja sinodal e samaritana.

Como os profetas denuncia as injustiças gritantes, profundamente sentidas pelos explorados e excluídos, denuncia a corrupção que anda à solta, a “economia que mata”. Procura e promove a Paz, chora com as vítimas da “loucura da guerra”. Alerta para o “grito da Terra”(Laudato Si), ferida pelos homens, e para os fenómenos extremos da Natureza, com ciclones, terramotos e outros.

O Papa Francisco, guiado pelo Espírito Santo e fiel ao espírito de Assis, é uma bênção para a Igreja Católica, perseguida e massacrada em tantas partes do mundo. Dou o exemplo da Nigéria, o país mais populoso de África, com cerca de 206 milhões de habitantes, onde os cristãos representam 46,2%. Porém, sofrem discriminação, violência e perseguição. Em 2022 foram raptados 22 sacerdotes e 4 assassinados pelo grupo terrorista Boko Haram. A Igreja portuguesa, presentemente, é motivo diário de fóruns e debates dos meios de comunicação social. Infelizmente foram cometidos alegados abusos sexuais por alguns membros do clero e colaboradores próximos. São crimes horrorosos que nos entristecem, humilham e envergonham profundamente, praticados contra vítimas indefesas; crianças e adolescentes, menores e adultos frágeis, traídos na sua boa fé e confiança. Como diz o Papa Francisco, “um único caso que fosse é uma monstruosidade”. Comprovados os factos, os culpados e quem os protegeu merecem inteira condenação.

Mas, nestes fóruns abertos à opinião pública e nos diversos debates têm-se soltado muitos recalcamentos e agressividade, feitos juízos injustos e preconceituosos. Talvez, por ignorância ou pura maldade, alguns participantes manifestam total desconhecimento da natureza da Igreja Católica. Ignoram que é uma comunidade de pessoas e também uma realidade espiritualidade, santa e pecadora. Ofendem milhões e milhões de católicos e milhares e milhares de padres, religiosos e religiosas, consagrados. Todos os baptizados somos Igreja. Com o Concílio Vaticano II, que aparentemente desconhecem, muda profundamente o conceito de missão. Há diversidades de ministérios, mas unidade de missão. E o Papa Francisco não se cansa de apelar à “colaboração real entre leigos e os membros da hierarquia”.

Perante tanta agressividade e injustiças, confundindo a ”árvore com a floresta”, há momentos em que dou comigo a perguntar-me: porque é que os meios de comunicação social não organizam um ou outro fórum e painel sobre a dimensão da acção social da Igreja Católica no mundo?! Investiguem, consultem os relatórios e vejam as estatísticas relativas à intervenção em Portugal e, sobretudo, na África e nos países pobres da Ásia e da América Latina, no âmbito Social, na Saúde e na Educação.

Ao celebrarmos os dez anos de Pontificado, Francisco e tantos missionários, padres, leigos, religiosos e religiosas bem mereciam esta justa atenção.

Alfredo Monteiro (AAAFranciscanos)

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