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Domingo, Julho 14, 2024

NO  DIA  MUNDIAL  DO  DOENTE

No dia 11 de Fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lurdes, celebramos “O dia Mundial do Doente”. Jesus, com a parábola do Bom Samaritano, ensinou-nos a tomar conta e a cuidar de quem sofre e que tenha sempre alguém que olhe o doente nos olhos e lhe aperte a mão. Citando o Papa Francisco, “o Bom Samaritano parou, aproximou-se e com ternura tratou as feridas do Irmão que sofre”. E na sua mensagem, Sua Santidade diz-nos que os pobres, os frágeis e os doentes estão no coração da Igreja.

Sabemos que os doentes vivem muitas vezes ignorados e abandonados. Por isso, a primeira necessidade que sentimos na doença é a da proximidade.

A doença da lepra era na Idade Média um verdadeiro flagelo, quer no Oriente, quer no Ocidente. Como era fortemente contagiosa, os leprosos vestiam-se de negro e eram mantidos distantes dos povoados. Ora, Francisco de Assis quando sentiu o chamamento  de Jesus Cristo, procurou mudar de vida. E numa peregrinação a Roma visitou o Vaticano e ao sair do Santuário deparou-se com muitos mendigos. Logo aí quis experimentar a “Irmã pobreza”. Voltou ao seu cavalo e, mergulhado em meditação, viu que um leproso passava diante dele. De imediato desceu do cavalo e o mendigo aproximou-se e estendeu-lhe a mão. Francisco, que sempre tivera horror dos leprosos, deu-lhe uma moeda e um beijo! O que outrora lhe provocava nojo, deu-lhe prazer! Francisco olhou em volta e não viu ninguém, entendeu, então, que aquele leproso era um personagem sobrenatural. No dia seguinte visitou a Leprosaria.  Mais tarde, escreveu, assim, no seu Testamento: “O Senhor permitiu que começasse a minha conversão desta maneira: quando ainda vivia em pecado não podia suportar sem repugnância a vista dos leprosos. Mas o Senhor conduziu-me ao seio desses desgraçados e pratiquei a compaixão para com eles”.

Hoje, Francisco de Assis,  como diz o Papa Francisco, diria aos homens que vissem no ”Irmão leproso” o rosto machucado de Deus.

Permitam,  para concluir, que me refira brevemente a um assíduo colaborador do jornal paroquial, a “Voz de Creixomil”, e que em princípios de Fevereiro nos deixou após doença prolongada. O Paulo Monteiro ainda, nesse mês em que também estou a escrever este texto, nos transmitiu a sua última mensagem.  Escrevia pequenos textos, mas que revelavam a atenção que dedicava às questões sociais, culturais, políticas e religiosas, interpretando, a seu modo, os sinais dos tempos! Cultivava com paixão o gosto pela leitura. Há cerca de ano e meio que conheceu a sua grave doença. Aceitou-a com grande serenidade, mesmo quando renunciou  àquilo de que tanto gostava, correr e caminhar pelos campos e montes, tocar cavaquinho no Rancho Folclórico de Creixomil e participar, como leitor, na Eucaristia dominical. A ajuda dos amigos e companheiros que com ele corriam e caminhavam; a proximidade e a solidariedade dos bons vizinhos deram ao Paulo a força,  a tolerância e a dignidade perante as dores e a degradação física que a doença prolongada  lhe causavam. Com ele tinha a Esperança do Abraço eterno de Deus infinitamente Bom e Misericordioso. A minha profunda gratidão.

Alfredo Monteiro, AACFranciscanos

 

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