O Seminário deixa sempre boas recordações .

Ao reler o Programa dos Seminários Arquidiocesanos de Braga do ano letivo 1966/67 com a capa alusiva ao cinquentenário das Aparições de Fátima, levou-me a escrever mais este texto sobre uma instituição que jamais esquecerei por tudo aquilo que nela adquiri. Foi uma das dádivas mais preciosas que auferi durante toda a minha vida, porque me abriu horizontes que me têm guiado neste meu caminhar.

Quando se entra no seminário, o principal objetivo é amadurecer a vocação sacerdotal e, em princípio, todos ingressam com a ideia de um dia serem padres, sendo um local de formação espiritual, um “viveiro” vocacional, mas também há uma forte formação científica, literária e ética, formando cidadãos capazes de seguirem os variados rumos que a sociedade, ao longo da vida, vai exigindo.

O Dr. Oliveira Fernandes, professor e prefeito, escreve no documento, acima referido, como que um prefácio à secção do Seminário de Nossa Senhora da Conceição, sobre a vigilância na educação e, numa parte do seu texto, refere: «… ao dizer que os superiores devem atender à formação dos alunos com uma vigilância cuidada… significa que ela deve ser feita com aquele espírito próprio de um médico que está atento a todas as reações do doente e a todas as manifestações da doença para melhor poder fazer o seu diagnóstico e aplicar ao doente o remédio mais eficaz… para o curar e fazer com que ele viva com maior pujança a sua vida. Melhor ainda: ela deve ser como a vigilância paternal que nunca deixa os filhos sós enquanto eles não têm uma liberdade educada, pois, de outro modo, correriam o risco de se afastarem do bem e seguirem o caminho do mal… O aluno deve estar profundamente convencido de que tudo o que o superior lhe diz é para o seu bem e que não há nos seminários um só superior que queira o mal dos seus alunos… É preciso que eles se habituem a ver que os superiores não só vivem com eles, mas que, e isto é o fundamental, vivem para eles e a eles se entregam numa doação total por amor a Cristo… Para uma sólida formação, que só se pode fazer ao nível do amor e da mútua confiança, é necessário que o aluno se sinta bem aceite pelo superior…»

Perante a essência de tudo o que lemos na longa citação do parágrafo anterior, escrita em 1966 por um dos nossos superiores, ficámos a entender, sem mais explicações, o carisma destas prestigiosas casas de formação. Não é por acaso que, ao encontrarmos algum superior ou condiscípulo, paira, no nosso interior, um elevado sentimento de felicidade como que fosse um pai que nos soube instruir e guiar pelos caminhos mais corretos ou um irmão que trilhou os mesmos ensinamentos e que soube conviver, proporcionando momentos inesquecíveis.

Todos os anos se fazem reuniões de curso, sendo momentos onde se revivem os magníficos anos de permanência no seminário. É uma família que se encontra anualmente, não havendo palavras para se descrever o que invade o nosso interior quando nos abeiramos de todos aqueles que são uma parte da nossa vida. (…)

Estes convívios constam sempre de um programa muito idêntico: concentração inicial, Eucaristia, fotografia de família e almoço, eventualmente, conferências e intervenções dos presentes, apresentação de fotos relevantes, leitura da ata do encontro anterior, lanche e encerramento com o inesquecível hino do Fá, Lá, Dó. Continuemos com estes encontros, pois representam verdadeiros momentos de confraternização e de alegria.

Salvador de Sousa, ASSABraga (Curso de 1966/67)

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