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Sábado, Dezembro 03, 2022

Sinodalidade, tarefa para todos…

Recentemente, o arcebispo de Nova Iorque, Cardeal Timothy Dolan, ao interrogar-se sobre o que seria a sinodalidade de que o papa Francisco fala com frequência, dizia: “não sei se o compreendo perfeitamente ou se o Santo Padre é sincero ao admitir que também não tem a plena compreensão, e por isso mesmo nos encomendou esta tarefa”.

Estas palavras do Bispo de Nova Iorque ajudam-nos a compreender a importância e a novidade do momento que estamos a viver na Igreja, marcado por uma proposta que nos desinstala, nos põe a caminho e nos convida a acolher as surpresas do caminhar juntos. Por isso, são compreensíveis os receios e as resistências de alguns… Contudo, tais dúvidas e incertezas não nos podem impedir de avançar, como Francisco nos pede, pois é necessário fazer um exame de consciência sobre o modo como estamos a viver e a servir o Evangelho de Jesus.

O Papa Francisco, por ocasião da celebração dos cinquenta anos de instituição do Sínodo dos Bispos (2015), afirmou que, desde o início de seu ministério como bispo de Roma, se preocupou em valorizar o Sínodo – aperfeiçoando a prática da sinodalidade -, por constituir “uma das heranças mais preciosas da última reunião conciliar”. E a prová-lo está a forma como organizou os sínodos das Famílias (2015), dos Jovens (2018) e, sobretudo, o processo sinodal em marcha, dedicado à sinodalidade.

Depois de projectar uma Igreja “em saída”, “acidentada”, misericordiosa como um “hospital de campanha”, acrescenta-lhe agora o “caminho da sinodalidade”, isto é, o “caminhar juntos”, por ser a melhor forma da Igreja se dizer e apresentar à sociedade.

Como São João Paulo II, Francisco deseja uma Igreja internamente mais coesa, não pelas vias da centralização e da disciplina, mas sim pelo caminho de uma maior participação e envolvimento do Povo de Deus na tomada de decisões em todos os níveis eclesiais: povo, clero, colégio episcopal e bispo de Roma.

De facto, o Papa Francisco quer deste modo começar a enfrentar a espinhosa questão do exercício da autoridade na Igreja. Como nos recorda o teólogo Bernard Sesböue, é possível reconhecer, desde os primeiros tempos da vida da Igreja, três dimensões ou estruturas fundamentais nas comunidades cristãs: a dimensão pessoal da presidência episcopal, a dimensão colegial e a dimensão comunitária.

Foi com estes três princípios que Francisco organizou a caminhada sinodal em curso: começou pela fase comunitária, com a consulta ao Povo de Deus para que todo o fiel cristão que o deseje possa participar; segue-se, por continentes, a fase colegial para que os respectivos bispos atendam à especificidade das grandes regiões do mundo no que toca à vivência e testemunho da fé; c) por fim, chegará o momento do Bispo de Roma, “que preside à Igreja na caridade”, se reunir com a assembleia sinodal para discernir, na escuta da Palavra e do Espírito Santo, os sinais dos tempos e, na fé e na esperança, definir colegialmente os caminhos de renovação e acção da Igreja.

P. Armindo Janeiro

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