O pouco que levamos muito ajuda …

DSC_1932 (560x374)No âmbito do seu desafio ”Por mares dantes navegados”, a UASP, em janeiro e março deste ano, foi até à Guiné com o objetivo de peregrinar pelas duas dioceses: Bissau e Bafatá.

A visita foi demoradamente preparada com a ajuda do Presidente da ACGB (Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau, uma ONGD nascida em 2.000, sediada em Viana do Castelo e que tem trabalhado, essencialmente, com Cacheu) que, inclusive, se deslocou, cerca de um ano antes, àquele PALOP para reunir com os respetivos bispos e melhor elaborar o programa do evento.

Assim, durante mais de um ano, a UASP levou a cabo uma série de atividades de que resultaram 10.564€ (que foram distribuídos igualmente pelas duas dioceses: 8.400€ em dinheiro e 2.160€ em géneros) e imensos materiais para apoio às populações mais carenciadas das dioceses: material medico-medicamentoso, de higiene, didático, escolar, roupa, etc. A adesão ao apelo da UASP foi de tal jeito generosa que, para além dos mais de 600 Kg que foi possível transportar por avião, ficaram ainda em armazém, para seguirem no próximo contentor da ACGB, cerca do dobro de ofertas variadas que se destinarão, como as primeiras, para as dioceses poderem distribuir aos mais necessitados, com especial atenção para as Casas das Mães de Bafatá e Gabú, as Missões Católicas de Canchungo e Cacheu, a Casa Bambaram (casa de acolhimento para órfãos) e as paróquias de Orango visitadas e a viverem abaixo do limiar da pobreza.

A visita foi um sucesso. E porque a nossa caminhada começou em Bafatá, não poderíamos ter tido melhor anfitrião do que o seu pastor, o Bispo D. Pedro Zilli, um homem alegre, positivo, afável e totalmente disponível. Com ele contactamos com algumas realidades da Igreja local: participamos numa oração ecuménica; visitamos as Casas das Mães, a Missão de Buba, o Saltinho (um dos paraísos na terra), a Igreja de Bambadinca, o museu Amílcar Cabral e Bafatá, a cidade.

Em Bissau, os sacerdotes que nos acompanharam (padres Manuel Armindo Janeiro e Artur Oliveira), concelebram na Catedral (onde o Padre Artur levou o coro a cantar o ”A 13 de maio” e outros cânticos alusivos a Fátima). Depois visitamos a Casa BAMBARAM, o Hospital da Cumura (antiga leprosaria) e o Hospital Pediátrico de S. José em BOR. Fomos a Canchungo (no caminho, e porque alguns dos “peregrinos” eram também, ex-combatentes, paramos em Bula, em Có e no Pelundo) onde as irmãs franciscanas de Nossa Senhora da Aparecida, da Missão local, nos receberam no “Jardim Criança Esperança”, um espaço novo e parcialmente equipado pela ACGB.

Seguimos até Cacheu. Aqui tomamos contacto com os projetos da Missão católica, também dirigida por Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora da Aparecida: o trabalho com os sub-nutridos com especial ênfase para o projeto “nô Kumê sabi” (nós sabemos comer). Visitamos esta antiga capital da Guiné bem como os espaços onde a ACGB tem atuado, em especial uma maternidade nova e considerada a melhor do país, um Centro de Recursos (com biblioteca, ludoteca e mediateca) e a utilização de energia solar não apenas para a eletrificação destes espaços como ainda para a captação de água potável.

Na segunda visita, o grupo ofereceu a Cacheu uma coroa para a Nossa Senhora da Natividade (uma imagem que se encontra numa capelinha aí construída pelos portugueses, quando aportaram àquelas terras em 1488) e, a uma das paróquias de Orango, uma Nossa Senhora de Fátima.

Cada um dos grupos, entre a visita às duas dioceses, foi até à ilha de Orango, outro dos paraísos na terra. Alguns quiseram ver hipopótamos. E viram. Outros quiseram passear-se pelas tabancas. E passearam-se. Alguns não abdicaram de uns largos banhos no mar morno. E banharam-se.

O objetivo da UASP era peregrinar pelas dioceses da Guiné. E assim aconteceu. E foi possível perceber como por ali se vive no limiar do nada e se fazem, no dia a dia, inúmeros milagres de multiplicações variadas. E foi possível perceber como todos eram bem vindos, independentemente de deixarem, ou não, miminhos. Todos fomos bem recebidos por um povo afável, alegre e positivo no seu crer de que tudo, amanhã, talvez seja melhor.

Peregrinamos e regressamos de alma cheia.

José Luís Ponte

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