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Sábado, Dezembro 04, 2021

Um caminho sinodal, porquê?

Para responder à solicitação do Papa, por certo, mas não só!

Qual sentinela atenta aos sinais dos tempos, Francisco alerta-nos para a necessidade de não nos deixarmos adormecer pela rotina que nos distancia do novo que está a nascer e é preciso acolher e iluminar com a alegria do Evangelho.

De facto, o mundo mudou profundamente em comparação com o dos nossos pais e/ou avós, e continua a mudar! O contexto antropológico é muito diferente e o quadro de valores vigente diverge, quando não se opõe, aos valores evangélicos. Basta pensar na importância que é dada ao mito de uma “eterna juventude”, afastando e escondendo, por consequência, tudo o que possa falar da velhice e morte.

Neste novo contexto cultural, é preciso reconhecer que uma certa forma de cristianismo já não funciona; e não estamos a falar do Evangelho em si mesmo, nem da sua beleza, bondade ou radical atractividade, mas sim de um certo modo de ser cristão. Basta recordar a vida dos nossos pais e/ou avós: mais curta, sofrida, cansativa, tantas vezes marcada por doenças e até pela fome. Ali, a Igreja soube inserir-se e responder; hoje, não pode fazer menos e deve procurar outras formas de continuar a servir, ajustando-se às actuais leituras da realidade! O Espírito Santo a isso nos impele, fazendo-nos seguir por caminhos novos.

E porquê? Porque necessitamos de actualizar o modo de ser e viver como cristãos; e só o conseguiremos se caminharmos juntos, em Igreja, com a colaboração de todos. Francisco diz-nos que esse novo estilo de vida cristã há-de respirar a alegria do Evangelho. Desde o início do seu ministério petrino que Francisco nos exorta a uma nova leitura do mistério cristão. E ele tem-nos dado pistas!

As primeiras palavras de três das suas Exortações Apostólicas, que dão nome aos próprios documentos, apontam o caminho:

  • em 2013, a abrir a sua carta programática, afirmava: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (AG 1);
  • em 2016, escrevendo às famílias, diz: “A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja” (AL 1);
  • em 2018, ao falar do “chamamento à santidade no mundo actual”, recordava as palavras de Jesus (Mt 5,12) a quantos são perseguidos ou humilhados por Sua causa: «Alegrai-vos e exultai» (GE 1).

A alegria do Evangelho, que nasce da manhã da Ressurreição e inunda os corações daqueles que n’Ele acreditam, constitui-nos em comunidade de discípulos, intimamente unidos pela força do Espírito Santo. É a partir desta fonte de Vida que tudo é recriado, a começar pela comunidade dos discípulos, dispersos pela morte de Jesus! A alegria do Evangelho impele-nos a viver no amor do Ressuscitado, qual fonte perene de juventude, e a partilhá-la, no serviço aos irmãos e no cuidado para com os mais frágeis.

Como viver e testemunhar Cristo, fonte de alegria e esperança oferecida a todos, dentro e fora do espaço eclesial? Eis um dos grandes desafios para o caminho sinodal.

P. Armindo Janeiro

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