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Terça-feira, Março 24, 2026

UASP COM A LASE

No passado dia 14 de Março de 2026, no Seminário de Vila Viçosa, realizou-se a Assembleia Geral da LASE (Liga dos Antigos Alunos dos Seminários de Évora), no Seminário de Vila Viçosa. A UASP foi convidada a levar, a este encontro, o espólio da exposição “Por Mares Dantes Navegados” para ser apreciada pelos Associados da LASE e para melhor dar a conhecer esse organismo agregador, de que a LASE é também Associação fundadora, e na qual integra, desde do início da UASP, o seu Conselho Diretivo, assumindo o pelouro de Tesoureiro.

Fui incumbido, enquanto curador da exposição no Consolata Museu, em Fátima, de levar o espólio a Vila Viçosa e de a introduzir. Tinha passado apenas uma vez naquela importante povoação alentejana, desconhecendo, por conseguinte, a beleza e riqueza daquele lugar, do qual tive agora o privilégio de começar a desvendar. E nada mais do que isso, começar a desvendar, por enquanto. Sem dúvida, tornou-se imperativamente obrigatória a minha participação nas próximas “JORNADAS CULTURAIS” da UASP, este ano organizadas pela LASE, precisamente em Vila Viçosa, com um vasto e riquíssimo programa, que me vai permitir “tratar por tu” aquele lugar maravilhoso e mágico. As Jornadas vão realizar-se nos dias 1, 2 e 3 de Maio próximo e, acreditem, venham que não se arrependerão.

Cheguei ao Terreiro do Paço de Vila Viçosa a meio da tarde de sexta-feira e deslumbrei-me com aquele encanto à vista. Uma praça generosa, toda circundada por história. Um quadrado ligeiramente inclinado, ladrilhado com padrão de retângulos mais escuros, divididos por linhas alvas e, ao centro, numa sobrelevação com 5 degraus, uma grande estátua montada do Rei D. João IV. Pormenor de uma riqueza notável: toda a pedra por ali exposta, na calçada, nas fachadas, no lancil e nos interiores, tudo mármore, das mais diversas cores e padrões.

Ao cimo da praça, o grande palácio dos Duques. Ao fundo o Seminário de S. José, que nos acolheu, ombreado pela “Igreja dos Agostinhos”, que serve o Seminário, mas é o panteão dos Duques de Bragança. Do lado direito, um muro alto dos anexos do palácio alberga um jardim e a capela real. Do lado esquerdo, o Convento das Chagas, um antigo convento das Clarissas com a sua igreja barroca e um edifício também do Seminário Menor, agora concessionado para pousada. Mergulhar e permanecer naquele conjunto é estar dentro da história mais rica e mais mística que se pode imaginar.

A maior parte do Seminário (Diocesano), está convertido em Casa de Acolhimento, aos cuidados da jovem e ativa congregação “Sementes do Verbo”, vinda do Brasil (e que já tínhamos conhecido em Moçambique), que integra sacerdotes, irmãos e irmãs consagrados e casais. O Seminário está todo renovado, consonante com a sua atividade atual, sem perder o seu carácter e desenho original. Entrar ali é estar ainda mais dentro da história, porque a envolvência do entorno e da própria arquitetura assim nos emerge, mas também porque nos sentimos dentro da nossa história, de meninos seminaristas que, neste ambiente, cresceram física, emocional, afetiva, culturalmente e se tornaram pessoas boas na sociedade.

Abri a janela do meu quarto, que simpaticamente os responsáveis da LASE reservaram, e mergulhei no Terreiro, mesmo em frente ao Palácio. Senti-me transportado no tempo e nos afetos. Durante estes dias, em contacto e convívio com os LASE, ouvi as emocionadas histórias entre aquelas paredes, histórias completamente encharcadas de afetos e gratas memórias. É assim em todos os encontros, de todas as Associações de antigos alunos. Aquelas pedras (estejam onde estiverem), aqueles espaços e as pessoas que os ocupavam moldaram-nos os afetos, o sentir, a mente, deram-nos a vida como ela se foi depois concretizando ao longo dos tempos. E às vezes, tempos já generosos, o que cria nos nossos encontros é um maravilhoso paradoxo: somos meninos já antigos!

Fui recebido pelo Presidente, Eduardo Pina, e um pouco mais tarde foram chegando viaturas cheias de antigos alunos do norte do país. O Seminário de Évora acolheu seminaristas do país inteiro e a LASE tem núcleos significativos no Norte, no Centro e no Sul do país.

Após uma visita guiada à casa, combinámos o local e formato da exposição e saímos a caminhar em direção ao restaurante “Os Cucos”, onde jantámos muito bem, os cerca de 20 nortenhos, e regressámos para uma noite tranquila, envolvida na magia do local.

Levantámos cedo, preparámos a exposição logo após o pequeno-almoço e passei a assistir ao sempre “dejà vu” da chegada dos participantes, envolvida nos imensos e fraternos abraços, no “matar saudades”, no falatório ansioso de contar as novidades, em cima e em simultâneo das memórias antigas, mas nunca velhas.

À hora marcada, o Presidente abriu a exposição e solicitou-me uma explicação sumária em jeito de introdução, a complementar as descrições dos cartazes também expostos. O local da exposição foi nas colunatas do claustro, uma praça quadrada, ladrilhada, ladeada toda à volta por um corredor de dimensões generosas, comunicando com o pátio por grandes arcos. Como já referi, tudo em mármore. Um local muito apropriado para a exposição.

A Assembleia Geral tinha uma agenda extremamente extensa e com grandes decisões na calha. Antes da ordem do dia, a pedido do Presidente Eduardo Pina, cumprimentei e apresentei cumprimentos do Presidente da UASP, Pe. Armindo Janeiro, e elucidei sinteticamente sobre o que é a UASP, o que faz, como faz, e a relação em concreto com a LASE. Percebi que muitos associados não tinham muitos conhecimentos sobre este tema, alguns desconheciam mesmo.

O atual Presidente, recém-eleito neste mandato, assumiu, entre outras coisas relevantes, manter, participar e aprofundar muito mais a relação com a UASP, e o mesmo se diga, por esta via, com todas as Associações de Antigos Alunos dos Seminários Portugueses, aumentando consideravelmente o contacto e a amizade nesta família maior de que fazemos parte, todos os que o queiram.

Durante os trabalhos, os acompanhantes tiveram o privilégio de visitar o “Museu da Farmácia”, o maior da Península Ibérica, um estupendo acervo museológico de António Victor do Monte, do princípio do século XX, com tudo preservado, tudo no seu devido lugar, onde se fazia ciência na área da farmacologia e onde se inovava na tecnologia, ao tempo. Fiquei impressionado.

Depois seguiu-se a Eucaristia concelebrada, presidida pelo Arcebispo emérito de Évora, D. José Francisco Alves, na igreja do convento das Chagas, ali mesmo no lado esquerdo do Terreiro do Paço.

Seguiu-se um lauto almoço no refeitório do Seminário de S. José, após o qual os trabalhos continuaram, até cerca das 17 horas, designadamente para uma homenagem póstuma ao Cónego Luís Martins Adriano, homem muito relevante na Diocese e vice-reitor dos Seminários de Évora.

Relembro que as JORNADAS CULTURAIS DA UASP 2026, ocorrerão nos dias 1 a 3 de maio precisamente em Vila Viçosa, com organização da LASE. Esperam-se inscrições para este programa TOP que vai preencher o evento, já anunciado, e pelo pouco que observei e descrevi nesta página, é imperdível.

Luís Matias

(março 2026)

Programa das Jornadas 2026
Ficha de Inscrição

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