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Sábado, Dezembro 04, 2021

Eucaristia, banquete de duas mesas!

As duas mesas deste singular banquete são a mesa da Palavra (Leituras e Salmo) e a mesa da Eucaristia (Pão e Vinho), cada uma delas com um tempo e centro próprios na celebração; a primeira decorre no ambão e é dedicada à proclamação e escuta da Palavra de Deus; a segunda decorre no altar, para dar graças com, em e por Cristo a Deus Pai pelo Seu projecto de vida e salvação da Humanidade.

O tema da “dupla mesa” de que falamos não indica tanto a justaposição de dois ritos, mas significa mais profundamente que a Palavra de Deus e a Eucaristia são dois mistérios que se iluminam um ao outro. A palavra de Deus é como o pão que deve ser comido e assimilado, e o corpo eucarístico de Cristo comporta-se como a Palavra: pois, do mesmo modo que esta, ao passar pelos ouvidos, entra na mente e no coração dos fiéis para os iluminar e aquecer (Lc 24,32), também o corpo e o sangue de Cristo, ao passar pela boca, deve entrar na mente e no coração dos fiéis para os nutrir e fortalecer.

A Eucaristia é, essencialmente, obra do Espírito Santo que assiste a Assembleia na escuta da Palavra de Deus e santifica o pão e o vinho para os transformar no corpo e sangue de Cristo, a fim de edificar a Igreja. Neste sentido se manifestava o II Concílio do Vaticano (DV 26): “assim como a vida da Igreja cresce com a assídua frequência do mistério eucarístico, assim também é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual, se fizermos crescer a veneração pela Palavra de Deus, que «permanece para sempre» (Is 40,8).

A primeira parte da Missa evoca a acção libertadora de Deus junto do Seu Povo e actualiza-a para nós, a segunda celebra e torna presente o seu momento culminante: a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Se a Palavra faz despertar na Assembleia a fé que permite compreender os sinais da presença de Deus na história do Seu Povo e na nossa vida, a Eucaristia introduz-nos no mistério de vida e amor do próprio Deus, por todos oferecido e consumado de uma vez para sempre na Páscoa do Senhor.

De facto, a Palavra proclamada não só dá a conhecer e suscita nos fiéis a adesão ao Projecto do Pai, como também os convida, pela acção do Espírito Santo, à doação de si mesmos aos irmãos, seguindo a Cristo. Podemos dizer que a Liturgia da Palavra, ao levar a Assembleia a contemplar a beleza e a grandeza dos desígnios da Santíssima Trindade, também a prepara para a Liturgia Eucarística onde, na alegria do Espírito Santo, é unida a Cristo no louvor e na acção de graças a Deus Pai.

Assim, quando proclamamos a Palavra de Deus acontece Eucaristia porque a Palavra suscita em nós uma atitude de profunda gratidão. Não ouvimos as leituras por curiosidade ou simplesmente para saber mais coisas, mas escutamo-las, agradecidos e reconhecidos, por tudo o que Deus fez, faz e fará sempre por nós e por todos. Deste modo se compreende melhor porque se dá a toda a celebração da Ceia do Senhor – e não só à segunda mesa – o nome de Eucaristia: Acção de Graças.

P. Armindo Janeiro

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