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Terça-feira, Junho 25, 2024

Por Terras do Vale do Ave – 1ª Parte

ITINERÁRIO  BENEDITINO – “ORA ET LABORA”

No início da Primavera de 2019, no Convento Franciscano de Leiria, a UASP realizou a Assembleia Geral e da Ordem de Trabalhos constavam duas propostas para apreciação e votação sobre a jornada cultural desse ano. Os participantes votaram maioritariamente a proposta dos Carmelitas, “A CIDADE E A SERRA”. Foi um programa de excelência realizado em Setembro. Se assim o desejarem ainda podem segui-lo virtualmente, lendo a crónica publicada no nosso site, “Pelas Ruas e Caminhos da Cidade e da Serra”.

A proposta concorrente, então apresentada pelos nossos irmãos Combonianos, “ORA ET LABORA”, face ao seu elevado mérito, ficou guardada para 2020. Mal sabíamos nós que, entretanto, ia chegar a terrível pandemia, o COVID19! Tudo parou! E a sociedade confinada adaptou-se a um novo modelo de vida! Graças a Deus que a proposta comboniana não se perdeu e chegou a 2023. E foi assim que, o António Pinheiro e o Luís Matias (do Seminário de Leiria) apresentaram um excelente programa.

A estrutura territorial do Vale do Ave caracteriza-se por uma rede densa de centros urbanos em expansão e que, geralmente, se integram em áreas de industrialização rural difusa. As aglomerações urbanas têm, de um modo geral, pouco peso demográfico relativamente à população dos respectivos concelhos. Em Guimarães, Santo Tirso e Vila Nova de Famalicão a densidade demográfica é elevada e a estrutura etária é jovem. Mas, se tivermos em conta que os concelhos de Fafe, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho, municípios agrícolas e montanhosos (Alto Ave), também fazem parte deste agrupamento, diremos que há assimetrias acentuadas. A maioria da população vive entre cidades numa malha urbana densa onde se localiza a fatia maioritária da actividade industrial dominante. Um cenário de casa-campo-empresa. Relembro que se criaram mais dois concelhos nesta agrupamento, Vizela e Trofa, ganhando autonomia, respectivamente, a Guimarães e a Santo Tirso.

O Vale do Ave há cerca de 180 anos iniciou a sua industrialização, convertendo-se no maior espaço têxtil da Europa. No entanto, ainda se mantêm os baixos salários como factor estratégico de competitividade! Mas, o aparecimento de uma geração jovem mais escolarizada e com atitude mais favorável face à formação e à modernização e a entrada das mulheres no mercado de emprego, pioneiras na Europa, são factores favoráveis a que se efectue mais célere a sua modernização.

Foi neste cenário que no sábado, manhã de 8 de Julho, iniciámos a “Jornada Cultural”. Os participantes, cerca de meia centena, alguns vindos de véspera, partiram de Guimarães em direcção a Santo Tirso. A chuva da noite prolongou-se pelas primeiras horas do dia. Mas, ao chegarmos ao Mosteiro de Singeverga já o “Irmão Sol”, apagados os últimos pingos, nos aquecia! O monge João Pedro acolheu-nos fraternalmente. Abertas as portas do Convento, conduziu-nos pelos amplos claustros silenciosos até à sala do Capítulo e à Igreja. Jovem, mas sábio e excelente comunicador, falou-nos da fundação da Ordem e da sua história em Portugal. Desde o século X que existe nestas terras uma grande devoção a São Bento. Abade nascido em Núrcia, na Itália, pelo ano 480. Educado em Roma, iniciou a vida eremítica na região de Subíaco, congregando à sua volta muitos discípulos. Depois, dirigiu-se para Cassino onde fundou o célebre Mosteiro e compôs a Regra que, difundida por tantos lados, foi chamado o Patriarca dos Monges do Ocidente. É Padroeiro da Europa. “Ora et Labora”, o lema da Ordem. Na verdade, a nossa vida cristã, em síntese, assenta em dois pilares: oração e trabalho.

Na Igreja do Mosteiro contemplámos o quadro, “A Adoração dos Reis Magos”, do conhecido pintor Tintoretto, da Escola Veneziana renascentista, percussor do Barroco. De seguida, levou-nos à sala “aromática” do afamado “Licor de Singeverga”. A receita é segredo de um só monge do Mosteiro, mas ficamos a saber que integra uma dúzia de especiarias! Cada provador descobre o melhor sabor! As vendas, foram muitas……

Já levemente atrasados seguimos para o Mosteiro de Santa Escolástica das Monjas Beneditinas, em Roriz, localidade vizinha. Aí a Madre Superiora, de sorriso aberto e cândido, abraçou-nos calorosamente num cenário acolhedor e, já bem aquecido e beijado generosamente pelo sol. Levou-nos até à capela conventual onde sorridentes oravam algumas irmãs mais idosas. Gravámos as belas palavras da Madre, identificadas com a Igreja missionária, sinodal e samaritana. Depois, para acompanhar o licor adquirido antes, atendeu-nos outra bondosa irmã que, pacientemente, aviou muitos fregueses que, muito apressados, procuravam comprar o tão desejado doce conventual!!!

Alertados pelas horas subimos até ao  Mosteiro original que é, agora, Igreja Matriz da paróquia de Roriz. Atentos a uma jovem guia que nos contou a história deste Templo, sem demoras, descemos até Santo Tirso onde já eram audíveis e, depois, visíveis as grandiosas festas de São Bento. Esperava-nos, na praça central, o mais antigo restaurante da cidade, “O TIRSENSE”. Um almoço demorado, porque houve tempo para dizermos quem somos, dado que alguns iniciavam o seu “noviciado” na UASP! E também para recebermos a visita simpática do Senhor Presidente da Câmara. Bem tratados, caminhámos ligeiros à descoberta da afamada pastelaria Moura. Para nosso desgosto, os conhecidos “Jesuítas” estavam esgotados e até mesmo os “seminaristas”! Para comprar,  apenas os pivetes e os limonetes!!! Já tarde, realizámos ainda  uma visita guiada ao Convento beneditino da cidade e respectiva Igreja Matriz. Antes do regresso a Guimarães, orientados pelos bons conhecimentos de uma dedicada Professora, percorremos as instalações da “Escola Profissional Agrícola” onde tantos adolescentes e jovens, ao longo dos anos, adquiriram as competências necessárias para o exercício da sua futura profissão. (Continua)

Alfredo Monteiro (AAAFranciscanos)
Julho 2023

Álbum de fotos Ora Et Labora

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