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Segunda-feira, Novembro 02, 2026

SER  MISSIONÁRIO

No dia 18 de Outubro, domingo, do ano em curso, a Igreja Católica celebrou o “Dia Mundial das Missões”. Completaram-se “Cem Anos de Missão”. A primeira mensagem, para este dia, é de Paulo VI, em 1963. Diz o Santo Padre: “… Todo o Mundo Católico conhece e ama as “Obras Missionárias Pontifícias” que visam organizar e fortalecer a generosidade dos fiéis em favor dos arautos do Evangelho….” E continua,”…Cada um, segundo a sua responsabilidade e tarefa, em espírito de fé e caridade esclarecida, deve contribuir o máximo para o crescimento das “Obras Missionárias Pontifícias” que, pela vontade da Sé Apostólica, devem ser estabelecidas em cada diocese de cada nação….”. São Paulo VI afirma que evangelizar constitui a identidade mais profunda da Igreja.

A “Igreja em Saída” marcou o Magistério do saudoso Papa Francisco, porque evangelizar é sair para as “periferias existenciais”. A “Missão” é da Natureza da Igreja de Jesus Cristo, como comunidade de enviados. Cada um, segundo a própria vocação e dons recebidos, é missionário!

A Mensagem de Leão XIV para este dia relaciona a “Missão com o Amor”. Diz-nos o Santo Padre que “… a unidade conjuga-se com a diversidade, entendida como a convergência dos diferentes carismas para o mesmo objectivo: tornar visível o Amor de Cristo”. Deste modo, encoraja as Instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária e a desenvolver formas concretas de colaboração, entre si, “para a Missão e  na Missão”.

Com o Concílio Vaticano II o decreto “Ad Gentes” relança a actividade missionária e muda profundamente o conceito de “Missão”. Pelo baptismo todos somos missionários. Assim sendo, a Comunidade Eclesial converte-se numa comunidade de enviados! Precisamos de caminhar juntos para que a Igreja encontre a sua raiz sinodal e samaritana.

Publiquei neste site, em meses anteriores, dois textos intitulados; “Ser Voluntário” e “Ser Solidário”; proponho-me, agora, chamar ao presente texto, “Ser Missionário”! Tive o privilégio de, nestes últimos anos, acompanhar um grupo de antigos alunos dos seminários portugueses (UASP), diocesanos e religiosos, a que se juntaram alguns familiares e pessoas amigas que, previamente, planearam e organizaram viagens missionárias de solidariedade, amizade e de proximidade aos novos países africanos de língua portuguesa e a Timor Lorosae, mas, sobretudo, para sentirmos e interiorizarmos novas experiências ali vividas. Na verdade, pudemos acompanhar o trabalho intenso diariamente realizado por homens e mulheres, sacerdotes e irmãs, consagrados e consagradas, catequistas e leigos voluntários, nas Missões de África e de Timor onde fomos familiar e fraternalmente acolhidos. São verdadeiros heróis, e também mártires, que chegam a percorrer largos quilómetros em condições difíceis de mobilidade!  A presença destes “arautos do Evangelho” ainda é mais necessária quando os recursos são escassos e a Igreja é pobre. É certo que alguns povos vivem em pobreza extrema  provocada, por vezes, pelas catástrofes humanitárias, resultantes dos conflitos internos e das alterações climáticas que arrastam consigo a destruição e a morte. No meio do sofrimento o Missionário está sempre presente. “Corajosos no testemunho do Evangelho”. Escutei, em Moçambique, de uma irmã missionária da Etiópia, que “… o  crescimento de uma criança é o crescimento de um País”! E assim é! Evangelizam, principalmente, com o exemplo e com obras, prosseguindo os “passos de São Paulo” que, na 1ª Epístola aos Tessalonicenses afirma: “…o nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a acção do Espírito Santo”. Ali, assim acontece:  são os Infantários; as Escolas, (de vários níveis de ensino), frequentadas por crianças, adolescentes e jovens manifestamente felizes; Instituições sociais; Centros de saúde e de Promoção Humana, “ Lar Familiar”(integra várias valências) que acolhe catequistas e família, formando e curando as “feridas socias e espirituais” e lançando à terra fértil sementes de Esperança…. São “Corações ardentes, pés ao caminho”.

Alfredo Monteiro (AAAFranciscanos)

One thought on “SER  MISSIONÁRIO”

  1. Alfredo, sempre atento, sempre oportuno, sempre missionário. Belo texto, como de costume. E tão bem ilustrado com esta maravilhosa fotografia de Tete, Moçambique, quando visitámos a “Escolinha Mamã Rosa”, que também nos transporta para aquela extraordinária figura do Serafino, missionário leigo, este ano distinguido pelo Papa, e que doou este projecto a quem colocou o nome da sua falecida esposa. Como um texto nos satisfaz e provoca uma catadupa de sensações, de experiências, de emoções. Bem hajas.

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