Em Janeiro do ano em curso publiquei, no site da UASP, um pequeno texto intitulado, “Cuidarmos da Casa Comum”. Recordei, então, o saudoso Papa Francisco que, inspirado pelo patrono dos ecologistas, São Francisco de Assis, exortava, incansavelmente, os governos das Nações a reconciliarem-se com a Natureza, a fazerem a verdadeira “conversão ecológica”.
Nessa altura, longe de mim pensar que nesse mesmo mês, na madrugada do dia 28, chegava ao nosso país, com enorme força devastadora, a tempestade Kristin. A Região Centro, nomeadamente a zona de Leiria, ficou arrasada pelos ventos ciclónicos!
Habituamo-nos a ver as imagens dos fenómenos extremos apenas pela televisão. Agora sentimos, com profunda dor e sofrimento, que tais acontecimentos dramáticos, afinal, também chegaram a Portugal! E com eles, a morte e a destruição. De seguida à Kristin, seguiram-se as tempestades Leonardo e Marta e o chamado “comboio atmosférico” com chuvas intensas e permanentes.
As barragens transbordaram e os rios galgaram as margens, inundando os campos, as explorações agrícolas e pecuárias, as cidades, vilas e aldeias! Foi a situação meteorológica mais forte de que há memória em Portugal! Casas, igrejas e capelas, estradas cortadas ao trânsito, populações isoladas, sem água potável, energia eléctrica e comunicações.
Mais doloroso ainda foi quando tomámos conhecimento da perda de vidas humanas e o que muitos homens e mulheres continuaram a viver e a sofrer com as sequelas advindas da destruição dos seus bens; património edificado, culturas agrícolas, empresas, pequenos negócios, desemprego e outros…; como aconteceu, durante bastante tempo, com a falta de luz, de água potável, das vias de comunicação rodoviárias e telefónicas, enfim, o isolamento, as famílias desalojadas…
Em Fevereiro de 2025 também publiquei um texto sob o título, “Ser Voluntário”, no mesmo site da UASP. Ao reflectir, agora, sobre os dois temas: “Cuidarmos da Casa Comum” e “Ser Voluntário”, proponho-me acrescentar um novo: “SER SOLIDÁRIO”; título que dou, como certamente já repararam, ao texto presente.
Atentos a estes dolorosos acontecimentos, recordo, a propósito, a parábola do “Bom Samaritano”, contada por Jesus Cristo, há cerca de 2000 anos, porque nos ensina a sermos solidários, a cuidarmos de quem sofre e a ajudarmos a carregar a dor do próximo. Assim foi nos dias seguintes, com a formação de uma grande corrente solidária e fraterna, feita de abraços de proximidade, após a visão apocalítica do estado das nossas cidades, vilas e aldeias atingidas!
Gestos de elevada e comovente solidariedade chegaram de todos os cantos do país. Multiplicaram-se as acções generosas de bens alimentares, de materiais de construção civil, de geradores, trabalhos de reconstrução de telhados e de outros considerados mais urgentes, donativos em dinheiro. A ajuda humanitária chegou de todos os lados, de perto e de longe! Foi visível o trabalho de acolhimento pelos inúmeros voluntários, a organização e distribuição, disponibilizando, gratuitamente, todo o tempo com esta nobre causa!
A diocese de Leiria criou um Fundo de Emergência; as paróquias, em coordenação com as Instituições da Igreja e da Sociedade Civil, promoveram a recolha. Enfim, uma imensa onda de solidariedade. Há dioceses que destinam a renúncia quaresmal às vítimas das tempestades e das grandes inundações.
Do Vaticano, também Leão XIV, lembrou todas as Vítimas dos fenómenos extremos que atingiram Portugal, apelando à oração e à solidariedade. E o Núncio Apostólico, na visita que efectuou às regiões afectadas, enalteceu o trabalho desenvolvido pelas nossas Forças Armadas, os Bombeiros e a Proteção Civil, pela Caritas, as Instituições privadas e os Voluntários que, noite e dia, se uniram num espírito conjunto. Todos, a seu modo, manifestaram a sua proximidade solidária e generosa, abrindo uma ampla janela de Esperança!
Alfredo Monteiro (AAAFranciscanos)
