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Terça-feira, Junho 30, 2026

Ecos da ASDLeiria – Encontro 2026

As memórias são
Como livros escondidos no pó.
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever…
Devagar…
(Trovante)

Que bela descrição com que os Trovante nos presenteiam, para exprimir o que sentimos quando fazemos mais um encontro da ASDL.
Se fosse só noticiar o formato do encontro necessitaríamos apenas de quatro linhas, e pronto, a notícia estaria dada. Mas se quisermos descrever realmente o encontro na sua dimensão plena, o seu impacto total e o sentir dos seus participantes… não teríamos provavelmente espaço útil disponível.

As formalidades (mesmo dando algum trabalho), são simples e objectivas:

• Uma convocatória – que muitos ignoram ou pelo menos não dão qualquer feedback; mas outros são ciosos de que esteja anotada e garantida a sua participação; e outros ainda, que não podem estar presentes, justificam muito bem a ausência e manifestam como gostariam de estar. A data foi 27 de Junho, de novo na casa do Clero, para podermos proporcionar a presença de companheiros que ali residem, sem possibilidade de deslocação, alguns nossos mestres, e disfrutar da sua companhia.
• A chegada: a partir das 9:30 h, as viaturas vão chegando e acomodando no generoso local da festa, a referida Casa do Clero em Fátima;
• Os abraços: efusivos e saudosos do reencontro, sempre parecidos, sempre diferentes. Motivos de conversas… muitos. Os rostos são os mesmos, também diferentes. Vamos perdendo em músculos e ganhando em sabedoria. Esta máxima, aqui, é claríssima. E recordamos muito as velhas “estórias”, que nos causam sempre novas sensações e novos sentires.
• A Assembleia Geral: cujo início corresponde sempre à maior dificuldade de refrear o genuíno ímpeto de reatar pela comunicação, os fios dos afectos, (como se não houvesse “mais logo” – como quem diz, amanhã) e fazer silêncio para a formalidade estatutária. E após o Presidente da Mesa e o Presidente da ASDL conseguirem levar a cabo essa difícil tarefa, lê-se e promove-se a aprovação da acta do ano anterior (que acaba por colar dois anos da vida associativa e, por conseguinte, dois encontros); faz-se a aprovação das sóbrias contas; elencam-se e informa-se sobre o desfiar das actividades que, coladas às da UASP, são significativas; e finaliza-se com a chamada de assuntos gerais, agendados ou extemporâneos e circunstanciais.
• Eucaristia: e aproveitando a ordem já estabelecida, dá-se início à Eucaristia, que é de Acção de Graças por esta vivência, que começou na nossa casa comum e se prolonga até hoje, e fazendo presentes, com saudade e esperança, os que de entre nós já partiram. Está presente a música, que reside nos genes da nossa casa e da
nossa formação em meninos, com relevância para criações do nosso saudoso Dr. Carlos Silva.
• O Repasto: Depois, retorna a algazarra que só se apaga quando o último deixar o local. Ou não acaba nunca. As abundantes sardinhas; alguns carapaus para os “biqueiros”; entremeada e chouriço; torresmos e outras entradas; muita e boa salada; sopa e outros acepipes; bem regados com líquidos de várias proveniências e origens… até água; muita fruta e doçaria; o café e o “chiripiti”… e muita, muita conversa, muitas histórias, algumas, surpreendentemente, ainda desconhecidas.

Só quem vem, pode sentir a emoção deste encontro. Quem não vem, nem sequer pode imaginar o que perde. Em cada ano, vamos sentindo a vida e o que ela vai fazendo connosco (de bom e de menos bom). Os companheiros que se acercaram mais recentemente, ficam surpreendidos com tanta coisa nova, com tanta emoção. Parece que descobrem até o que já viveram e foi deles. Senti-o em tantas conversas, onde estive, e outras que ouvi lateralmente. É uma verdadeira riqueza de emoções, indescritível para as comunicar a quem não as pode viver. É uma espécie… de fazer renascer sentimentos que já não sabíamos que existiam, uma espécie de reencontro connosco mesmos. Até as histórias passadas com outros intervenientes (que não eram do nosso tempo), parece que também são nossas. Identificamo-las, porque elas pertencem a uma espécie de mística vivenciada no ambiente onde desabrochámos e, independentemente dos protagonistas, esse fundo, essa espécie – metafórica – de radiação cósmica da nossa juventude, estava impressa em transfundo da nossa casa comum.

Tentámos lembrar-nos dos colegas a quem perdemos o rasto, e nesse exercício de memórias e vivências, conseguimos ir encontrando alguns contactos de companheiros de quem perdemos o rasto. Talvez consigamos melhorar a informação no próximo encontro, e apelamos a que, quem souber de amigos nessas condições, que vão reportando para que atualizemos os nossos ficheiros e possamos chegar a mais gente.

Trouxemos muito à liça o facto irremediável de que a nossa geração será a última a ter memórias, e a trazer impressos para toda a sua vida, os sentimentos, a cultura, a educação que nos proporcionou o Seminário. Pode haver quem tenha sentimentos e memórias menos felizes daqueles tempos marcantes e determinantes no nosso futuro. Mas temos a convicção de que a enorme maioria, tem as melhores memórias e com elas a maior gratidão ao Seminário. Sabemos que alguns, na hora da saída, sentiram-se em conflito sobre este assunto, mas ao longo do tempo, e com a experiência da vida, vieram a reconhecer o quanto de fundamental foi este tempo para o seu futuro. Temos tido explicitamente testemunhos neste sentido e sabemos que são convictos.

O novo modelo de funcionamento dos seminários, acompanhando, naturalmente, os novos tempos na sociedade, não proporcionarão mais esta experiência soberana nas novas gerações. Por isso, vale a pena cada um fazer um esforço para participar nos encontros, que serão cada vez mais dolorosos, porquanto vamos perdendo mais amigos (que não serão repostos nas novas gerações), mas não perdemos a memória. Cada ano
de ausência, é uma oportunidade perdida para os abraços e afectos, que nos fazem bem à alma e, alguns, não poderão voltar a ser dados.
Somos os últimos “dinossauros” desta maravilhosa vivência.

Luís Matias
ASDL

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