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Terça-feira, Fevereiro 03, 2026

CUIDARMOS DA CASA COMUM

Durante o ano de 2025, Ano Jubilar e Santo, os Padres e Irmãos Franciscanos celebraram em todo o Mundo o Oitavo Centenário do “Cântico das Criaturas”, o poema mais belo sobre a Natureza em que Francisco de Assis canta as maravilhas do Criador. A Terra, “Casa Comum” da Humanidade, reivindica aos países mais ricos e maiores poluidores que mudem o seu estilo de vida, que façam a sua conversão ecológica. Mas cabe-nos, também, reconhecer que todos somos responsáveis pelas agressões que, diariamente, sofre o Mar e a Terra. Escutemos o saudoso Papa Francisco que, inspirado pelo Santo de Assis, exortava, incansavelmente, o povo e os governos das nações a cuidarem da Criação, porque a reconciliação com a Natureza é um dever de todos nós. E os cristãos devem ser os primeiros a moldar o seu comportamento ambiental, como nos ensina a Encíclica Laudato Si. Seria maravilhoso que a formação ecológica se iniciasse na família, continuasse na escola e na catequese paroquial. Infelizmente assim não acontece! Assistimos nas últimas festas de Natal e fim do ano, sobretudo nas grandes cidades, ao triste cenário de ver o lixo espalhado pelas ruas, apesar dos muitos ecopontos; montes de sacos abertos, uma mistura de resíduos avulsos !… Ainda há muitos munícipes que não fazem a reciclagem! E sabendo que nessas noites não seria recolhido pelos Serviços Municipais nem sequer tiveram o brio  de  o guardarem em casa, até ao dia ou dias seguintes, para não conspurcarem o chão e o ambiente!…

A espiritualidade franciscana conduz-nos à contemplação da beleza e da grandeza do Universo com a imensa vastidão de seres vivos. Francisco de Assis fala de Deus entre os homens e entre todas as criaturas.  Entendeu a Natureza como “uma linguagem na qual Deus fala connosco”. “Compreende o mundo como morada, é um construtor da Casa Comum”, patrono e inspirador dos ecologistas. Viveu a cantar, a saudar e ao aproximarem-se os seus últimos dias terrenos começou, igualmente, a louvar a Deus pela “Irmã Morte”! Do seu amor profundo por Jesus Cristo amou também todas as criaturas. A missão de todos nós é cuidarmos da “Casa Comum”. Porque, se continuarmos a ofender o meio ambiente teremos sempre a resposta pronta das alterações climáticas, dos fenómenos extremos e desastres naturais, como tem acontecido em tantas paragens do Mundo. São milhares de espécies em vias de extinção! O aniquilamento da vida selvagem é uma ameaça à nossa Civilização. Como seria desolador para as gerações vindouras herdarem o Planeta como inimigo?! Felizmente começaram a emergir vários movimentos juvenis que exigem dos governantes das nações uma nova relação com a Natureza ao reconhecerem que é pela  acção  dos homens que se altera a face da Terra.

Ao Cântico das Criaturas acrescentou Francisco “O louvor pelos que perdoam”. Louva os promotores da paz e do perdão, tornando o Poema um pacto de reconciliação com todas as criaturas e com os homens e mulheres. É um pacto de Paz da Natureza com a Família Humana. Francisco, como já disse acima, louva também a própria morte, “indo alegremente ao seu encontro: bem vinda sejas minha Irmã Morte”, morrendo nu nos braços da “Irmã Terra”.

Concluo, inspirado nos textos do Frei Isidro Lamelas, Padre franciscano e Professor na Universidade Católica, publicados no jornal ”Missões Franciscanas”; inspirado, também, num texto publicado na revista “Terra Santa”, intitulado “Quando o Céu nos fala”, de Cayetana H. Johnson, Universidade Eclesiástica de San Damaso, Madrid. Dizem-nos os dois autores que, no Cântico das Criaturas São Francisco eleva o seu louvor a Deus por meio das Criaturas, chamando de irmão e irmã numa linguagem de imensa ternura. Dá um lugar privilegiado às figuras celestes, “Irmão Sol”, “Irmã Lua” e as estrelas. Aqui a poesia torna-se numa oração cósmica e o Universo faz-se um Sacramento visível do invisível. A Estrela de Belém que guia os Magos até ao Menino, sinal tangível de um guia divino que usa a Criação para falar à Humanidade. Há uma íntima conexão entre o Cântico de São Francisco e a visão bíblica do Céu, onde as estrelas são sinais divinos e instrumentos de comunicação entre Deus e o homem

Alfredo Monteiro (AAAFranciscanos)

One thought on “CUIDARMOS DA CASA COMUM

  1. Parabéns Alfredo, o Franciscanismo corre-te nas veias, alimentado pelo “Cantico das Criaturas” que inspirou tantos nobres pensadores do espírito de S. Francisco, ricamente esplanado na encíclica “Laudato Si” do não menos Franciscano Papa Francisco. Parabéns Alfredo pela lição publicada. Grande e fraterno abraço, J Gomes

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